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Fim da DIRF: o que muda em 2026 e como empresas devem se adaptar

A DIRF ― Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte ― chega ao fim em 2026, sendo substituída pelo eSocial/EFD-Reinf; uma mudança que visa desburocratizar a rotina do DP.
Tempo de leitura: 4 min
fim da DIRF

Se a sua empresa ainda tinha “DIRF” no checklist de início de ano, pode riscar: a DIRF não é mais utilizada. A Receita Federal migrou a captação dessas informações para um modelo baseado em dois pilares: eSocial e EFD-Rein, com entregas mensais, mais controle e menos duplicidade.

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A DIRF acabou mesmo?

Sim. A partir de 2026, não existe DIRF “do jeito antigo” (a declaração anual gerada no PGD). A mudança que importa para a rotina é esta:

  • A última DIRF entregue no modelo antigo foi a referente ao ano-calendário de 2024 (entrega em fevereiro/2025).
  • Para fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2025, as informações que antes iam para a DIRF passaram a ser prestadas via eSocial e EFD-Reinf — ou seja, não há DIRF a entregar em 2026 (ano-calendário 2025).

E tem um detalhe importante: a Receita reforça que a substituição não é só burocrática. Na verdade, ela impacta diretamente a declaração pré-preenchida do IRPF de trabalhadores e demais beneficiários.

Para lembrar: o que é a DIRF?

A DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) era a obrigação anual usada para informar à Receita Federal rendimentos pagos e retenções na fonte (IRRF e outras retenções), ajudando a cruzar dados e reduzir inconsistências.

A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte é emitida pela fonte pagadora, ou seja, pelo empregador, que pode ser uma pessoa física ou empresa.

O objetivo da DIRF era fornecer informações à Receita Federal sobre o valor do imposto de renda e outras contribuições retidas com pagamentos a terceiros para evitar sonegação fiscal. Ou seja, se relaciona com o IRFF – Imposto de Renda Retido na Fonte.

Com a evolução do SPED e a consolidação do eSocial/EFD-Reinf, a Receita passou a buscar o mesmo conjunto de informações por um processo mais moderno e sem duplicidade, substituindo a declaração anual por eventos mensais.

E o que é EFD-Reinf?

Com o fim da DIRF, o envio da declaração passará a ser feito pelo eSocial e pela EFD-Reinf; uma obrigação acessória de entrega mensal que faz parte do SPED, o Sistema Público de Escrituração Digital.

Seu principal objetivo é centralizar as informações que, anteriormente, ficavam dispersas na entrega de diversas outras obrigações acessórias. Ou seja, a EFD-Reinf existe para facilitar processos do DP e do próprio governo.

É importante falar de EFD-Reinf porque a Instrução Normativa 2.096/22 também altera as regras relativas a essa obrigação. O texto determina que a escrituração deve ser entregue por:

  • empresas que prestam e contratam serviços realizados por meio da cessão de mão de obra;
  • empresa ou entidade patrocinadora que tenha destinado recursos à alguma associação esportiva;
  • entidades que promovam espetáculos esportivos realizados em território nacional, independentemente da modalidade desportiva, que contem com a participação de ao menos uma associação esportiva que tenha equipe de futebol profissional.

Confira outras leituras que podem ser úteis para você:
Obrigações Acessórias: Veja as Datas Importantes para Sua Empresa
IRRF na Folha de Pagamento: Veja Como Fazer o Cálculo!
Folha de pagamento e eSocial: entenda a relação

Por que será o fim da DIRF?

O fim da DIRF está relacionado ao propósito atrelado ao eSocial: unificar todas as principais obrigações acessórias das empresas em uma única plataforma.

Com isso, cerca de 15 documentos que eram entregues separadamente, passam a ser enviados por meio do eSocial, incluindo a DIRF.

Mais uma vez, cabe ressaltar que a mudança é gradual e, por isso, cabe ao DP acompanhar as atualizações apresentadas pelo governo para as demais obrigações que ainda não migraram para a plataforma.

O que muda com o fim da DIRF?

Antes, muita coisa era “ajustada” na DIRF no começo do ano seguinte. Agora, se o dado está errado no mês, ele precisa ser corrigido na competência (com reabertura/retificação), porque é dali que a Receita consolida o ano.

Novos campos e atenção redobrada no eSocial (IRRF)

Com a extinção da DIRF para fatos geradores a partir de 01/01/2025, o eSocial passou a exigir atenção especial ao preenchimento de dados que impactam diretamente o IRRF e o futuro informe de rendimentos, como:

  • dependentes;
  • pensão alimentícia;
  • plano de saúde;
  • reembolso de plano de saúde;
  • deduções de IRRF;
  • previdência complementar;
  • e ajustes de regras como desconto simplificado, quando aplicável.

Ponto de atenção: o eSocial não calcula o IRRF. Na verdade, ele recebe e valida informações. Se o sistema de folha estiver parametrizado de forma incorreta, a inconsistência “vai junto”.

E o Informe de Rendimentos: acabou junto com a DIRF?

Não. O Informe de Rendimentos continua obrigatório. Ou seja, o que muda é de onde saem os dados.

A partir de 2026, as empresas precisam estar prontas para gerar o informe (ano-calendário 2025) usando as informações prestadas ao longo do ano via eSocial/EFD-Reinf e a base do sistema de folha/fiscal.

Prazo: a regra segue sendo “até o último dia útil de fevereiro”. Em 2026, isso cai em 27/02/2026 (sexta-feira), por ser o último dia útil do mês.

Como conferir se está tudo certo em 2026?

A Receita disponibilizou uma funcionalidade bem útil para quem já está entregando eSocial e EFD-Reinf em substituição à DIRF: o Demonstrativo Consolidado do IRRF no Portal de Serviços.

Esse demonstrativo:

  • consolida informações mês a mês;
  • traz um Painel de Críticas com inconsistências detectadas;
  • considera fatos a partir de janeiro de 2025 (já no modelo “pós-DIRF”);
  • foi desenhado justamente para viabilizar o processamento do IRRF 2026 e efetivar a extinção do PGD DIRF 2026.

O que o DP precisa saber com o fim da DIRF?

Vamos recapitular os principais pontos atrelados à mudança provocada pelo fim da DIRF! Confira a seguir aquilo que seu DP precisa saber para se preparar e evitar surpresas depois:

Preciso entregar DIRF em 2026?


Não. A DIRF não é mais utilizada e as informações passaram a ser prestadas via eSocial/EFD-Reinf.

O que substituirá a DIRF?

O envio de informações pelo eSocial e EFD-Reinf substituirá o envio da DIRF. Quanto a isso, basta se lembrar de que o governo criou o eSocial justamente para unificar as principais obrigações acessórias de uma empresa em um só lugar.

Pouco a pouco, essa mudança vai acontecendo até abarcar cerca de 15 documentos diferentes.

Se eu errei um mês em 2025, posso corrigir agora?

Sim, mas a correção costuma exigir retificar o mês e, quando necessário, reabrir e reenviar eventos para que a consolidação anual fique correta.

O fim da DIRF afeta o colaborador?

Sim. A Receita destaca que o correto envio das informações ajuda a garantir a pré-preenchida do IRPF sem inconsistências.

Conclusão

O fim da DIRF em 2026 não é só a troca de um programa: é a consolidação de um modelo em que a qualidade do dado mensal (e não a “arrumação anual”) vira o centro da conformidade.

Para DP, RH e Contabilidade, a melhor estratégia é tratar eSocial e EFD-Reinf como um fluxo contínuo de fechamento, conferência e correção, e usar as ferramentas de consolidação e críticas para não deixar inconsistências crescerem silenciosamente ao longo do ano.

Foto de Távira Magalhães
Távira Magalhães
Sou CHRO na Sólides e Professora Universitária, com uma trajetória de 24 anos dedicada à Gestão de Recursos Humanos. Mestre em Administração e pós-graduada em Gestão de Pessoas, lidero áreas estratégicas que vão de People Analytics e Performance a Talent Acquisition e Employer Branding. Minha atuação é pautada por certificações internacionais como a PROSCI (Gestão de Mudanças) e Psicologia Positiva pelo Wholebeing Institute. Como Coach e Mentora, meu propósito é compartilhar como integrar tecnologia, cultura e desenvolvimento humano para transformar organizações e impulsionar resultados sustentáveis.

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