O plano de treinamento é muito mais do que fazer cursos para preencher a agenda da equipe. É uma ferramenta estratégica de T&D que impacta diretamente o desenvolvimento das pessoas, o engajamento e a retenção de talentos na empresa.
Prova disso é que 50,5% dos líderes apontam o treinamento do time como o principal tipo de apoio que recebem do RH, segundo o Panorama de Empregabilidade e Gestão de Pessoas da Sólides.
Ou seja, desenvolver pessoas é uma necessidade clara para quem está na linha de frente da gestão. Quer entender como colocar isso em prática, com exemplos, dicas e ferramentas que facilitam? Vem com a gente!
O que é um plano de treinamento?
Um plano de treinamento é como uma espécie de mapa. Afinal, ele mostra o caminho que a empresa vai seguir para desenvolver as pessoas do time de forma estruturada, contínua e alinhada aos objetivos do negócio.
Na prática, é um documento (ou sistema, se a empresa já usa ferramentas digitais) que organiza todas as ações de treinamento e desenvolvimento, desde os temas que precisam ser abordados até o formato de entrega, cronograma, responsáveis e formas de avaliar os resultados.
No entanto, não se trata só de ensinar uma nova ferramenta ou atualizar um processo. Um bom plano de treinamento também auxilia no fortalecimento da cultura de aprendizagem da organização.

Leia também: Como criar uma política de treinamento e aprendizagem
Quais os componentes de um plano de treinamento e desenvolvimento?
Para que um plano de T&D cumpra seu papel com eficiência, ele precisa ir além da boa intenção. Sendo assim, é importante ter estrutura, direcionamento e conexão com os objetivos da empresa e do time.
Em outras palavras, isso significa organizar todas as etapas de forma clara, desde o diagnóstico inicial até o acompanhamento dos resultados. Confira alguns dos principais componentes que não podem faltar em um bom plano de treinamento:
- diagnóstico de necessidades: identificar o que o time precisa desenvolver, usando avaliações e feedbacks;
- objetivos do treinamento: definir metas claras e específicas para o aprendizado;
- público-alvo: entender para quem o treinamento será direcionado;
- conteúdo programático: o que será ensinado, com base nas necessidades;
- metodologia e cronograma: como e quando o treinamento vai acontecer;
- recursos e orçamento: o que será necessário para executar o plano e quanto isso custará;
- avaliação dos resultados: medir se o treinamento trouxe os resultados esperados;
- plano de acompanhamento e desenvolvimento contínuo: garantir que o aprendizado seja aplicado e consolidado ao longo do tempo.
Ademais, saiba que além destes, o plano deve estar alinhado com a gestão de competências da empresa. Ou seja, com as habilidades e comportamentos que a organização valoriza e quer fortalecer.
Qual a importância de ter um plano de treinamento?
Ter um plano de treinamento é importante, principalmente, para garantir a retenção de talentos, aumentar o engajamento dos funcionários e melhorar a performance organizacional.
Sem esse planejamento, as empresas perdem a oportunidade de desenvolver habilidades necessárias e manter a equipe motivada. Além disso, o desenvolvimento contínuo de habilidades é um dos principais fatores para a empregabilidade no Brasil.
Para se ter ideia, segundo o Panorama de Empregabilidade da Sólides, 81% dos profissionais afirmam precisar de treinamento adicional para se destacar no mercado de trabalho.
Se esse dado é tão relevante para quem busca uma vaga, para as empresas a necessidade é ainda maior, porque investir em capacitação é investir na permanência e no crescimento dos colaboradores.
Um plano de treinamento bem estruturado cria uma cultura de aprendizagem na organização, onde os colaboradores se sentem valorizados e motivados a evoluir. Isso gera maior engajamento, diminui o turnover e aumenta a produtividade.
Além disso, ao alinhar o desenvolvimento das competências com os objetivos estratégicos da empresa, o plano ajuda a melhorar os resultados do negócio.
Modelos de plano de treinamento
Um plano de treinamento pode assumir diferentes formatos, dependendo do momento de carreira dos colaboradores, das metas organizacionais e das competências que se deseja desenvolver. Sendo assim, a seguir, conheça os principais modelos aplicados nas empresas:
1. Plano de treinamento de integração (Onboarding)
É o primeiro passo para garantir uma experiência positiva ao novo colaborador. O onboarding apresenta a cultura da empresa, os processos internos, ferramentas e equipes.
Quando bem estruturado, acelera a adaptação e fortalece o engajamento desde o primeiro dia. Além disso, vale lembrar que falhas nessa etapa podem sair caro.
Segundo o Business News Daily, uma má integração pode levar à alta rotatividade e custar até 300% do salário do colaborador desligado, considerando o investimento feito em treinamento e recontratação.
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2. Plano de treinamento técnico
É focado no desenvolvimento de habilidades técnicas específicas, como domínio de sistemas, ferramentas, métodos ou processos operacionais.
Esse tipo de treinamento é fundamental para cargos técnicos ou para a adoção de novas tecnologias. Ele garante mais produtividade e precisão nas entregas.
3. Plano de treinamento comportamental
Trabalha competências interpessoais, como comunicação, inteligência emocional, trabalho em equipe e a liderança.
Mesmo em ambientes altamente técnicos, essas habilidades são determinantes para o clima organizacional e o bom desempenho coletivo e as empresas que valorizam as soft skills tendem a formar times mais colaborativos e resilientes.
4. Plano de treinamento por trilhas de aprendizagem
Em vez de ações pontuais, esse modelo propõe uma jornada contínua de desenvolvimento, estruturada conforme o nível de maturidade profissional de cada pessoa.
Sendo assim, é especialmente útil para o desenvolvimento de lideranças, por permitir que talentos com potencial de crescimento sejam acompanhados e preparados de forma progressiva, com base em conteúdos específicos, mentorias e desafios práticos.
5. Plano de treinamento de reciclagem
Focado na atualização de conhecimentos, normas e procedimentos já conhecidos pela equipe. É especialmente útil diante de mudanças na legislação, adoção de novas práticas ou exigência de conformidade com padrões de qualidade.
Etapas para elaborar um plano de treinamento

Como vimos, o plano de treinamento é fundamental para o crescimento das pessoas e da empresa, mas para que ele funcione bem, é preciso ter componentes claros e bem estruturados. Entre os principais, podemos destacar, por exemplo:
- Diagnóstico de necessidades
- Objetivos do treinamento
- Definição do formato e distribuição
- Planejamento de recursos e orçamento
- Definição das técnicas de aplicação
1. Diagnóstico de necessidades
Todo plano de treinamento começa com o LNT (Levantamento de Necessidades de Treinamento), uma etapa essencial para entender o que precisa ser desenvolvido.
Esse diagnóstico deve se basear em dados de desempenho, feedbacks e metas estratégicas da empresa, garantindo que os conteúdos sejam realmente relevantes para o negócio.
2. Definição dos objetivos do treinamento
Definir objetivos claros é primordial para orientar o plano. Eles respondem à pergunta: o que queremos que as pessoas aprendam ou aprimorem?
Esses objetivos precisam estar alinhados com as metas da organização, servir de referência para mensurar resultados e justificar o investimento em T&D.
3. Definição do público-alvo e do formato
Saber quem vai participar do plano de treinamento é determinante para escolher a melhor abordagem.
Com base no perfil dos colaboradores, é possível definir o formato (presencial, online, híbrido, mentoria, coaching) e adaptar a linguagem, os exemplos e a metodologia ao contexto real da equipe.
4. Planejamento de recursos e orçamento
Essa etapa envolve a organização dos recursos necessários para viabilizar o plano: materiais, plataformas, estrutura, equipe, consultorias, entre outros.
Também é o momento de definir o orçamento disponível e garantir que o investimento seja planejado, realista e sustentável para a empresa.
Confira também: Planilha para calcular custos de treinamentos
5. Definição das técnicas e cronograma de aplicação
Com base nas etapas anteriores, é hora de definir as técnicas de aplicação do plano de treinamento. Elas podem incluir workshops, trilhas de aprendizagem, job rotation, pílulas de conteúdo e outras práticas.
Além disso, o cronograma precisa respeitar a rotina dos times, mantendo equilíbrio entre aprendizado e produtividade.
Exemplos de aplicações de um plano de treinamento

Um bom plano de treinamento se materializa no dia a dia da empresa, resolvendo problemas reais, desenvolvendo competências e promovendo resultados. A seguir, veja exemplos práticos de como aplicar um plano de T&D de forma eficaz:
1. Plano de treinamento para novos colaboradores (onboarding)
Objetivo: acelerar a adaptação de quem está chegando.
Criar um plano com conteúdos sobre a cultura da empresa, políticas internas, fluxos operacionais e treinamentos técnicos iniciais.
Isso pode ser feito com trilhas de aprendizagem online, encontros com líderes e materiais interativos. Um bom onboarding reduz o tempo de rampagem e aumenta a retenção.
2. Capacitação de equipes comerciais
Objetivo: melhorar a performance de vendas.
Após identificar, via LNT, que o time comercial precisa reforçar habilidades de negociação, a empresa desenvolve uma série de workshops e role plays sobre técnicas de persuasão, escuta ativa e gestão de objeções.
3. Desenvolvimento de lideranças
Objetivo: formar gestores mais preparados.
Criar um programa contínuo com coaching individual, formação em soft skills (como comunicação, inteligência emocional e gestão de conflitos), além de projetos práticos em que os líderes assumem desafios estratégicos e recebem feedback estruturado. Isso fortalece a sucessão interna e a autonomia das lideranças.
4. Treinamento sobre novas ferramentas ou processos
Objetivo: garantir que todos saibam usar novas tecnologias ou mudanças operacionais.
Ao adotar um novo sistema de CRM, o RH estrutura um plano de capacitação dividido por áreas e níveis de complexidade.
Inclui tutoriais, sessões ao vivo com especialistas e suporte pós-treinamento para dúvidas. Isso evita gargalos de produtividade e reduz a curva de aprendizagem.
5. Programa de reciclagem e atualização
Objetivo: manter os colaboradores atualizados com as exigências do mercado.
A cada semestre, a área de T&D aplica uma avaliação de competências e lança trilhas de conteúdo por áreas técnicas e comportamentais.
Profissionais de áreas como compliance, tecnologia ou atendimento ao cliente participam de formações específicas para se manterem competitivos e alinhados às boas práticas do setor.
Ferramentas que ajudam a fazer um plano de treinamento e desenvolvimento
Contar com as ferramentas certas faz toda a diferença na hora de estruturar um plano de treinamento eficiente, porque elas ajudam a organizar processos e manter os colaboradores engajados ao longo da jornada de desenvolvimento.
Por isso, algumas ferramentas que podem fazer seu plano de treinamento funcionar:
1. Plataformas de e-learning (LMS)
As plataformas LMS são o coração digital do treinamento corporativo. Com elas, é possível criar trilhas personalizadas, integrar diferentes formatos de conteúdo (vídeos, textos, quizzes), acompanhar o progresso dos colaboradores em tempo real e emitir certificados automaticamente.
Um bom exemplo, são empresas que adotam um LMS e conseguem reduzir o tempo de implementação de treinamentos e escalar capacitações em múltiplos times, inclusive em modelo híbrido ou remoto.
2. Programas de educação corporativa
Programas de educação corporativa são ferramentas estratégicas para promover o aprendizado contínuo nas empresas. Mais do que cursos isolados, eles formam uma base sólida de conhecimento que pode ser compartilhada e replicada por toda a organização.
Um ótimo exemplo é a Escola de Pessoas da Sólides, uma plataforma voltada à capacitação em gestão de pessoas, que oferece conteúdos atualizados, acessíveis e diretamente conectados aos desafios do dia a dia do RH e da liderança.
3. Mentoria e coaching com suporte de plataformas
Mentorias e sessões de coaching ganham mais efetividade quando apoiadas por ferramentas que organizam agendas, trocas de feedbacks e planos de desenvolvimento.
Existem plataformas específicas que conectam mentores e mentorados, oferecem roteiros de conversa e documentam o progresso.
Na prática: essa estrutura facilita programas de liderança e aceleração de carreira com acompanhamento individualizado.
4. Profiler da Sólides
Ferramentas de mapeamento comportamental, como o Profiler, são grandes aliadas para personalizar o plano de T&D.
Com base na metodologia DISC, o Profiler identifica os estilos de comportamento dos colaboradores, seus talentos naturais e pontos a desenvolver.
Esse tipo de diagnóstico auxilia o RH a criar trilhas de aprendizado realmente aderentes às necessidades de cada perfil e não apenas conteúdos genéricos.
5. Gamificação aplicada ao treinamento
Aplicar mecânicas de jogos nos treinamentos, como pontuações, rankings e desafios, aumenta o engajamento de funcionários e torna o processo de aprendizagem mais leve e motivador.
Ferramentas de gamificação ajudam a manter o interesse ao longo da trilha, além de estimular a aplicação prática dos conhecimentos.
Por exemplo, simulações com pontuação, quizzes com recompensas e sistemas de badges digitais são recursos simples e eficazes.
6. Plataformas de avaliação de desempenho
Avaliar os resultados do plano de treinamento é importante para medir o ROI da estratégia.
Plataformas de avaliação de desempenho permitem cruzar dados de performance com os treinamentos realizados, aplicar feedbacks estruturados e criar Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs).
O bom é que você consegue entender o que funcionou, o que pode ser melhorado e como evoluir o plano de forma contínua.
Como calcular o ROI de um treinamento?

O ROI de um treinamento mostra se a capacitação trouxe resultados concretos para a empresa. A boa notícia é que calcular o ROI em treinamento pode ser mais simples do que parece. Basta seguir 5 passos principais:
1. Defina os objetivos do treinamento
Comece respondendo: o que esse treinamento pretende melhorar? Pode ser produtividade, redução de erros, aumento de vendas, retenção de talentos ou qualquer outro indicador que impacte os resultados da empresa.
Ter metas claras facilita a mensuração e garante que o treinamento esteja alinhado à estratégia do negócio.
2. Coleta de dados antes e depois do treinamento
Você só consegue medir uma melhoria se souber o ponto de partida. Por isso, colete dados antes do treinamento, como:
- performance individual
- indicadores de equipe
- domínio de competências
Depois compare com os resultados após a capacitação. Esse acompanhamento pode incluir avaliações, metas batidas, feedbacks qualitativos e outros indicadores-chave.
3. Levante todos os custos
Inclua custos diretos (como plataformas, instrutores e materiais) e indiretos (como horas investidas pela equipe, estrutura e logística). Isso garante que o cálculo seja o mais realista possível.
4. Quantifique os benefícios
Agora, transforme os resultados em valores financeiros. Exemplo, um aumento de 10% na produtividade pode significar uma entrega maior com o mesmo custo, o que representa ganho.
Outros exemplos de benefício mensurável:
- redução de retrabalho;
- aumento no ticket médio de vendas;
- redução de turnover.
5. Use a fórmula do ROI
Com os dados em mãos, aplique a fórmula:
ROI = (Benefício – Custo) / Custo x 100
Se o resultado for positivo, significa que o investimento valeu a pena. Se for negativo, é sinal de que o programa precisa ser ajustado.
Organize seus custos e coloque o plano de treinamento em prática
Criar um plano de treinamento estratégico é só o começo. Para garantir sua viabilidade e apresentar resultados concretos, é fundamental ter controle sobre os investimentos realizados.
Planejar os custos com clareza permite que o RH ganhe autonomia, otimize recursos e comprove o retorno das ações de desenvolvimento para a liderança.
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