O CONARH 2026 abriu sua programação nesta terça-feira, 18 de agosto, reunindo milhares de profissionais de RH e DP de todo o país.
A Arena de Conteúdo da Sólides recebeu seis palestras ao longo do dia, com nomes que hoje pautam a conversa sobre gestão de pessoas no Brasil.
Este artigo traz um resumo do que marcou o primeiro dia. E para que você aproveite ao máximo tudo que aconteceu na nossa Arena de Conteúdo, a Sólides vai lançar o Raio-X do CONARH 2026 assim que o evento terminar.
É nele que você encontra as principais falas de cada palestra e a análise completa dos três dias deste evento.
Quer receber no seu e-mail? Basta clicar no botão abaixo e se inscrever para garantir o seu.
O material chega para você assim que o evento acabar, no dia 20/08.
Panorama do dia 1
O primeiro dia teve um fio condutor claro: a pressão sobre o RH aumentou, e a resposta não é fazer mais coisas, é fazer as coisas certas.
Esse tema apareceu de formas diferentes em praticamente todas as palestras da Arena de Conteúdo, que reuniu:
- Elissandra da Mata, especialista em RH e fundadora do Instituto RH na Prática
- Paula Braccesi, executiva em RH, fundadora da Choices e voz do @rhdefora
- Alini Dal’Magro, CEO do Instituto PROA
- Natália Santos, contadora especialista em Departamento Pessoal
- Léo Kaufmann, diretor de conteúdo e curador do RH Summit
Na trilha RH Estratégico e Resultados, a conversa girou em torno de prioridade, dados e conexão com o negócio.
Já na trilha DP e Operação, o assunto foi outro: como transformar processos que costumam ser vistos como puramente burocráticos em vantagem competitiva para a empresa.
A seguir, um resumo das palestras que mais marcaram o primeiro dia.
RH sob pressão: como priorizar o que realmente importa, com Paula Braccesi
Paula Braccesi, executiva em RH, fundadora da Choices e voz do @rhdefora, abriu sua palestra com a seguinte provocação: quando a empresa está sob pressão, a primeira reação do RH costuma ser criar um projeto novo.
Para ela, deveria ser o contrário.
Paula defendeu que quanto maior a pressão sobre o negócio, maior precisa ser a disciplina do RH sobre o que é essencial.

Ela estruturou a fala em torno de quatro pilares que chamou de “básico do RH”:
- Pessoas certas nas posições certas;
- Processos funcionando sem depender de heroísmo;
- Números na mesa, prontos para embasar decisão;
- Negócio como norte de toda escolha.
Segundo Paula, sem esses quatro pilares sustentados, qualquer discurso sobre inovação em IA, cultura ou experiência do colaborador perde o chão.
O colaborador não separa RH estratégico de RH operacional: se o salário vem errado no fim do mês, nenhum programa sofisticado de bem-estar compensa.
CONARH 2026
“Se você tem um RH que defende que ‘a cultura é ótima’, mas não paga o benefício em dia ou erra a folha de pagamento, o colaborador não vai lembrar da nossa cultura de inovação, ele vai perguntar pelo benefício que não caiu. Antes de querer transformar e inovar, garanta que o básico do dia a dia funcione de forma impecável.”
Um dos pontos principais da palestra foi sobre indicadores. Paula reforçou que um KPI sozinho não diz muita coisa.
Por exemplo, turnover de 15% pode ser bom ou ruim, dependendo do contexto do negócio, do mercado e da função, e por isso o indicador é só o começo da pergunta, não o fim dela.
Para fechar, ela apresentou os critérios simples de priorização sob pressão, quatro perguntas que ajudam a decidir o que entra na agenda da semana:
- Qual o impacto real no negócio?
- Qual o risco de não fazer agora?
- A urgência é real ou só parece urgente?
- Qual o esforço exigido para entregar?
A lição principal da palestra foi: sofisticação não é fazer mais coisas, é saber escolher o que realmente importa e ter coragem de dizer não ao resto.
Competências transferíveis em um mercado de trabalho incerto, com Alini Dal’Magro
Alini Dal’Magro, CEO do Instituto PROA, trouxe um dado impressionante: a automação e a inteligência artificial generativa devem impactar entre 20% e 60% dos postos de trabalho no Brasil, colocando 5,5 milhões de empregos em risco.
Ao mesmo tempo, o Brasil vive o seguinte paradoxo:
- 48% das empresas planejam ampliar equipes;
- O país é o 7º colocado no mundo em dificuldade para achar profissionais qualificados;
- Manter uma vaga aberta por meses pode custar de 3 a 4 vezes o salário do cargo.

Diante desse paradoxo, Alini defendeu que saber transitar entre funções é a competência mais estratégica para lidar com a incerteza, mais até do que dominar uma função específica.
E que essas competências transferíveis, como resolução de problemas e adaptabilidade, muitas vezes já existem prontas em um grupo que o mercado ainda hesita em reconhecer: jovens em situação de vulnerabilidade social, moldados por necessidade em vez de treinamento formal.
Ela também trouxe um contraponto direto ao discurso comum sobre requalificação: o problema raramente é a falta de talento disponível, é a falta de critério para reconhecer talento fora do formato tradicional de currículo.
CONARH 2026
“Num mundo onde não sabemos o que vai ser o futuro, as competências transferíveis são as mais importantes. O papel do RH não é preparar a pessoa do zero, mas reconhecer o que já existe de bagagem nela e, a partir daí, melhorar.”
A palestra terminou com uma virada de chave: Além de preparar esses jovens do zero, o papel do RH é redesenhar processos de seleção e onboarding para enxergar competências que já existem, só que moldadas por necessidade em vez de treinamento formal.
Erros na folha de pagamento que ainda custam caro, com Natália Santos
Natália Santos, contadora especialista em Departamento Pessoal, abriu com uma frase que resume bem o problema: ninguém aplaude uma folha de pagamento correta, mas basta um erro para todo mundo saber quem fez.
Ela passou por cinco falhas recorrentes que ainda pegam empresas de surpresa:
- base de cálculo incorreta em verbas do INSS e FGTS
- falta de integração entre ponto digital e folha
- enquadramento incorreto de vínculos empregatícios
- rubricas com nome bonito e natureza errada
- eSocial aceito sem checagem real de consistência
CONARH 2026
“Não é porque o eSocial aceitou a informação que ela está correta. O eSocial vai aceitar todas as informações que você colocar e que estiverem no layout dele. Se eu colocar lá que o salário de um funcionário não tem incidência de nada, ele vai aceitar. O eSocial validou? Sim, mas não é porque ele validou que o dado está certo. O profissional de DP precisa se preocupar com a qualidade do que está sendo enviado, e não apenas se o arquivo subiu.”
Segundo ela, esses erros costumam nascer de rotina, não de má-fé: uma planilha desatualizada, um cálculo copiado do mês anterior sem revisão, um sistema que aceita o dado sem checar consistência real.
O problema é que o custo desses pequenos deslizes só aparece meses depois, na forma de auto de infração, reclamação trabalhista ou multa.
O recado mais forte da palestra foi sobre prevenção. Segundo Natália, cada real investido em conformidade evita entre 8 e 12 reais em custos de correção mais adiante, considerando multas, passivos trabalhistas e retrabalho.
Ela deixou três ações práticas para o RH aplicar de imediato:
- Criar um calendário de provisionamento de encargos
- Auditar a base de cálculo de INSS e FGTS
- Integrar ponto e folha para eliminar lançamento manual
Três passos simples, sem custo de tecnologia nova, que já colocam o DP um degrau à frente do erro.
Nenhum deles depende de sistema caro ou reestruturação completa da área: dependem de rotina, de checagem recorrente e de alguém responsável por revisar antes que o problema vire dado oficial no eSocial.
É essa disciplina, segundo Natália, que separa o DP que apaga incêndio o mês inteiro do DP que evita que o incêndio comece.
Mais destaques do primeiro dia
Além das três palestras acima, outras três completaram a programação da Arena de Conteúdo neste primeiro dia.
- Elissandra da Mata, especialista em RH e fundadora do Instituto RH na Prática, abriu a programação da manhã com “RH que gera resultado: método para estruturar pessoas, performance e lucro em escala” e fechou o dia com “RH que entrega resultado: o que você ainda pode fazer em 2026”.

- Léo Kaufmann, diretor de conteúdo e curador do RH Summit, encerrou o dia com “Liderança é o problema. Liderança é a solução”. Ele defendeu que ninguém pede demissão de empresa, pede demissão de líder, e que cobrar comportamento sem tratar a causa é remediar o mesmo problema em escala.

O fio comum entre as palestras da trilha DP e Operação foi claro: transformar a folha de pagamento, historicamente vista como centro de custo, em fonte de inteligência sobre o negócio.
Já as trilhas RH Estratégico e Liderança trouxeram um recado que se repetiu em quase toda fala do dia: sob pressão, o RH que se destaca não é o que faz mais, é o que sabe escolher o que fazer.
Transmissão do CONARH 2026: reassista o primeiro dia
Não conseguiu acompanhar a transmissão do CONARH 2026 ao vivo ou quer rever algum trecho específico?
A gravação completa do primeiro dia da Arena de Conteúdo da Sólides está disponível no YouTube.
Aproveite conteúdos dos principais nomes do RH e DP!
O que vem por aí no CONARH 2026
O primeiro dia já mostra a profundidade do CONARH 2026 este ano.
Cada palestra trouxe método, dados e provocação prática para quem lidera pessoas no Brasil hoje.
E o Raio-X do CONARH 2026 vai reunir tudo isso e muito mais em um único lugar: os três dias completos do evento, mais de 20 palestrantes e as tendências que vão pautar a gestão de pessoas nos próximos anos.
Basta preencher o formulário para reservar seu acesso.
*O envio acontece assim que o evento terminar, no dia 20 de agosto.
