Desenvolvimento de liderança: como formar bons líderes

Saiba a importância do desenvolvimento de liderança e como implementar um programa de desenvolvimento de líderes na sua empresa.
Tempo de leitura: 10 min

O que é desenvolvimento de liderança? Você já parou para pensar que a presença de bons líderes tem um impacto direto no funcionamento de uma empresa? Do relacionamento interpessoal até os resultados, são eles que fazem a diferença. Por isso, o RH precisa saber usar as ferramentas certas para o desenvolvimento da liderança.

Nesse sentido, desenvolver lideranças significa aplicar um conjunto de estratégias e ações para criar ou incrementar líderes entre os colaboradores de uma empresa. Esse planejamento busca estimular nos indivíduos as competências fundamentais para ocupar a posição.

Mas para ter êxito no processo, é preciso se aprofundar no assunto. Pensando nisso, criamos este conteúdo, para apresentar os tipos de liderança, as diferenças entre líder e chefe, o papel da liderança nas organizações e o perfil de um bom líder. Ainda, destacamos a importância dos programas de desenvolvimento de liderança nas empresas. 

Assim, ficará mais fácil pensar nas melhores estratégias ligadas ao tema para qualificar profissionais e torná-los aptos a alcançarem essa posição. Boa leitura!

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Qual é o papel da liderança de equipes?

O líder é a ponte entre a empresa e os colaboradores e o seu principal papel é desenvolver a equipe para que atinjam seu melhor potencial – individualmente e trabalhando coletivamente. – Camila Poiano

Nesse cargo, o profissional deve cumprir as suas funções enquanto procura entender quais resultados que seu time deve alcançar na empresa para colaborar com o todo.

Sabendo dos valores e da missão da empresa, a um bom líder irá traçar quais são as ações e as estratégias necessárias para os colaboradores alcançarem os resultados de que a organização precisa. Ademais, os líderes também determinarão o papel de cada profissional nesse contexto, sempre com base nos seus perfis comportamentais.

Mais do que isso, o líder se torna uma ponte entre a empresa e os colaboradores, trabalhando para que todos estejam engajados em suas devidas funções. Isso porque ele se torna uma inspiração para a equipe a partir de uma liderança de alta performance.

Quais são as diferenças entre chefe e líder?

Entender as diferenças entre chefe e líder também é muito importante para o planejamento do desenvolvimento da liderança. Confira mais sobre cada uma dessas funções:

Chefe

Normalmente, um chefe tem um papel que se dedica mais à busca de lucros e de resultados e menos às pessoas envolvidas no processo para o alcance desses resultados. Dessa maneira, ele enxerga os integrantes do time como subordinados, e não como colaboradores. 

Essa visão não ajuda no engajamento dos profissionais, já que eles se sentem desmotivados a expressar suas opiniões e suas dúvidas. Isso, é claro, tem efeito direto na motivação para o trabalho, visto que eles estarão fazendo suas funções puramente por obrigação, e não porque se sentem parte da empresa e dos seus resultados.

Líder

O líder busca a alta performance desenvolvendo os colaboradores, mas sempre com o resultado que deve ser entregue à empresa como objetivo final.

As características do líder de alta performance fazem com ele esteja atento aos colaboradores e aos seus pontos fortes e fracos. Nesse caso, esse profissional cria estratégias visando utilizar os talentos da equipe em diferentes papéis, conforme as soft e hard skills.

Ele identifica, também, os pontos mais fracos e propõe soluções para o seu desenvolvimento. Um bom líder sabe ouvir sua equipe, oferece feedbacks construtivos e reconhece quando erra – atitudes que geram o engajamento e a motivação para a rotina corporativa.

Além disso, o líder sempre busca por aprimoramento. De acordo com o Panorama Gestão de Pessoas 2025, “84% dos líderes já fizeram cursos de gestão e 64% buscam atualização semestral”. Essa tendência só mostra o valor dessa persona pelo autoaperfeiçoamento.

Portanto, tanto o chefe quanto o líder buscam e devem buscar resultados para a empresa, mas o chefe faz isso através de ordens e comandos unilaterais, tratando o time como subordinados, etc.

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Conheça quais são os tipos de liderança

Após entender o papel do líder na empresa e as diferenças da função de chefe, está na hora de conhecer os tipos de liderança. Esse conhecimento é essencial para o RH aplicar estratégias para o desenvolvimento desses profissionais, segundo a classificação.

Liderança autocrática

É um dos tipos mais tradicionais de liderança, haja vista que as decisões são centralizadas no líder. Além disso, os colaboradores estão sujeitos a regras definidas. Ela pode ser considerada um pouco antiquada, justamente por não dar abertura para que os profissionais se posicionem diante dos processos da empresa.

Liderança democrática

Como o próprio nome já diz, essa liderança está mais aberta à participação, sugestões e contribuições do time. É o modelo mais utilizado nas empresas hoje em dia, justamente por ser um modelo para a gestão de pessoas. Esse tipo está sempre em busca de estratégias e de ações para motivar, para engajar e para desenvolver seus liderados.

Liderança liberal

Nesse tipo, o líder conta com a capacidade de autogestão do time, o que não quer dizer que ele é ausente, mas sim que atua como um direcionador. Esse modelo é mais indicado para equipes com profissionais experientes, os quais possuem uma maior facilidade em trabalhar com níveis altos de autonomia e de responsabilidade.

Liderança técnica

Também chamada liderança operacional, caracteriza-se por motivar as equipes pelo exemplo, compartilhando conhecimentos e técnicas já utilizadas. Desse modo, busca-se a inspiração das equipes, exigindo que o líder esteja em constante atualização. 

Liderança situacional

Trabalha com a variação dos tipos de liderança conforme os obstáculos enfrentados. O conceito, definido no final da década de 1960, defende que um líder por excelência conduz os times com capacidade técnica, habilidade e inteligência emocional. Isso ocorre mesmo diante das adversidades e considerando o momento atual da empresa.

 Liderança coaching

O foco deste tipo de liderança está na motivação e no desenvolvimento dos times, usando a mesma ideia dos processos de coaching tradicionais. O líder incentiva os colaboradores a alcançarem um objetivo com um grupo forte conduzido por estratégias. 

Existe um tipo de liderança melhor?

Não existe uma única melhor forma de liderar dentre todas essas, o ideal é avaliar as consequências e resultados de cada formato e buscar as soluções a partir daí. Eu sempre digo:

Um líder deve olhar para o cenário da empresa, os objetivos a serem buscados, os resultados atualmente entregues e elencar os ajustes necessários nos comportamentos de líderes e suas equipes, com foco em: o que está funcionando e o que não está funcionando? E assim a liderança e o estilo de liderar vão se adaptando.

Benefícios do desenvolvimento de lideranças

Os programas destinados ao desenvolvimento de lideranças são promissores quando bem estruturados e implementados nas empresas. Ainda, as vantagens são reais para a organização e para a carreira dos profissionais envolvidos. Os benefícios mais frequentes são:

  • maior  engajamento dos times após o PDL;
  • cultura organizacional fortalecida;
  • aumento da produtividade;
  • colaboradores mais focados e eficientes;
  • queda nos índices de turnover;
  • redução de custos operacionais;
  • comunicação interna mais assertiva;
  • ambiente de trabalho agradável;
  • desempenho financeiro;
  • destaque para as estratégias de atração e retenção de talentos. 

Em resumo, considere que o desenvolvimento de liderança é uma das melhores estratégias para beneficiar pessoas e processos. Conhecer cada tipo de líder, a função que desempenham nas empresas e formas de implementar um programa que realmente traga resultados é indispensável.  

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Qual é o perfil de um bom líder?

Dentre as características de um bom líder, a responsabilidade que vem com a função, exige que o profissional tenha inteligência emocional e motivação para inspirar seus liderados. Além disso, a autoconfiança e a convicção na capacidade do time é a tônica para promover o engajamento. 

Entretanto, não é apenas isso. Para fazer a diferença, a liderança deve dominar outras habilidades subjetivas. Ainda, o líder precisa ter senso de humor e atitude positiva diante dos desafios e das responsabilidades diárias.

Os liderados desejam que o líder saiba dividir os ganhos das tarefas bem executadas, compartilhando com o time o sucesso conquistado. Para ser um líder, o indivíduo precisa ter um perfil que:

  • exerce a empatia para entender as limitações dos colegas;
  • tem paciência para ensinar, corrigir e lidar com eventuais falhas;
  • tem uma comunicação assertiva e persuasiva;
  • seja humilde o suficiente para reconhecer erros seus ou da equipe;
  • é corajoso para admitir sua ignorância diante de algo, mas tem disposição para aprender;
  • tenha habilidade de falar e ouvir;
  • sabe criticar em particular e elogiar em público;
  • evita situações vexatórias ou humilhantes para os liderados;
  • reconhece e valoriza aptidões individuais e coletivas;
  • distribui oportunidades de forma igualitária;
  • incentiva o desenvolvimento dos demais;
  • faz-se respeitar e evita ser temido. 

Atualmente, existe um grande aliado para o desenvolvimento da liderança: o coaching. Tais cursos têm técnicas e ferramentas exclusivas que possibilitam um profundo autoconhecimento. A partir dele, o profissional poderá entender o que precisa ser melhorado para exercer o papel de líder com o resultado esperado pela empresa.

Para entender mais sobre o tema, confira:

Quais os principais desafios da liderança?

Segundo o Panorama de Gestão de Pessoas, 4 em cada 10 profissionais em cargos de gestão afirmam que ganhar a confiança do time é o maior desafio para quem está exercendo o cargo de liderança pela primeira vez.

Além desses, com base em uma amostra de profissionais de RH, liderança e operação, o estudo destaca aspectos que impactam diretamente a eficiência organizacional e a saúde do clima interno. Outros desafios levantados são:

1 – Rotatividade alta

O Brasil tem o maior índice de rotatividade do mundo, com 51,3% ao ano, o que significa que mais de 1 em cada 2 colaboradores foram desligados ou pediram demissão nos últimos 12 meses.

No fim, isso representa um impacto financeiro estimado acima de R$ 600 bilhões anuais, considerando custos com rescisão, recrutamento e perda de produtividade. E, como um dos principais fatores de engajamento da equipe, muitos líderes ainda não sabem como aplicar uma gestão estratégica para ajudar a motivar e manter líderes.

2 – Desenvolvimento de colaboradores

Um outro grande desafio para lídere é atuar como protagonista no desenvolvimento humano. Até porque, iniciar uma cultura de responsabilidade compartilhada exige capacitação em comportamento organizacional, alinhamento de metas e integração com o RH para multiplicar boas práticas.

3 – Tomar decisões difíceis

Muitas vezes, líderes precisam optar entre caminhos que envolvem cortes de custos, reestruturações de equipe, promoções disputadas ou até mesmo desligamentos estratégicos.

Portanto, essas decisões afetam tanto o clima organizacional quanto a percepção de justiça dentro da empresa.

Um exemplo prático ocorre em situações de desligamento. Isso porque, encerrar o vínculo de um colaborador que não está alinhado à cultura pode ser necessário para o bem da equipe, mas exige do líder inteligência emocional, clareza de comunicação e sensibilidade para conduzir o processo de forma respeitosa.

Assim, o grande desafio do líder não é apenas escolher o melhor caminho, mas comunicar e sustentar suas decisões com transparência, ética e consistência. É nesse equilíbrio entre firmeza e humanidade que se constrói a credibilidade da liderança.

4 – Montar planos de carreira

Muitos líderes encontram desafios em montar planos de carreira estratégicos que atendam as expectativas do colaborador e estejam alinhados aos objetivos estratégicos da empresa. Esse dado revela a necessidade de envolver a liderança em planos estratégicos e trabalhar técnicas de Gestão de Pessoas com maior recorrência e intencionalidade.

Confira o infográfico com outros desafios comuns entre líderes:

dado do Panorama de Gestão de Pessoas, que detalha o desafio na tomada de decisão de líderes de primeira viagem

Programa de Desenvolvimento de Liderança (PDL)

Você sabe o que é um PDL? Como o próprio nome sugere, é um conjunto de treinamentos aplicados junto aos colaboradores para desenvolver suas potencialidades até se transformarem em líderes. 

O objetivo de um programa desse tipo é identificar competências interpessoais e técnicas necessárias para conduzir as equipes de trabalho. Para isso, busca-se o aprendizado constante e a lapidação de habilidades e competências já existentes no profissional. 

Geralmente, colaboradores que participam de PDLs sentem-se motivados para ajudar colegas, gerando um ciclo de desenvolvimento positivo que atinge toda a organização. 

Como funciona um PDL?

Antes de implementar um programa de desenvolvimento de liderança, é essencial conhecer a fundo a cultura organizacional e as necessidades da empresa. Além disso, essa iniciativa deve estar alinhada com os objetivos do negócio e ter como base um planejamento estratégico para sair do papel. 

Passo a passo para estruturar um Plano de Desenvolvimento de Liderança

Para implementar um PDL eficiente que cumpra seu propósito, a gestão de pessoas deve seguir um roteiro básico. Ele é importante para definir as etapas do processo e as expectativas dos colaboradores para cargos estratégicos. Confira!

Planejamento

Relacione todas as necessidades do programa, especialmente sobre treinamento e desenvolvimento. Quais competências os participantes já têm e quais precisam ser aprimoradas? 

Entre as características necessárias para um bom líder estão: ética, inteligência emocional, capacidade de dar e receber feedbacks, organização e comunicação. Sendo assim, inclua no planejamento as competências desejadas, mas não presentes nos integrantes da equipe. Para identificá-las, submeta os colaboradores a pesquisas rápidas e peça feedbacks. 

Ainda sobre feedbacks, não se esqueça de incluir um espaço para avaliar os treinamentos. Os resultados coletados serão valiosos para um novo PDL. 

Aplicação

Para a aplicação ser bem-sucedida, explique aos participantes, com clareza, o que a organização espera de um futuro líder após o programa. Nesse sentido, um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) pode apontar quais competências os profissionais precisam desenvolver e quais devem ser aprimoradas. 

A partir dessa introdução, temos a aplicação efetiva do Programa de Liderança. O método é uma decisão organizacional e pode funcionar com workshops, treinamentos presenciais ou online, utilizando plataformas específicas ou em módulos. Tudo depende do perfil dos times e da viabilidade financeira da empresa. 

Revisão dos impactos do PDL

Nessa etapa, é importante explicar como as habilidades do colaborador vão contribuir para o sucesso do negócio e quanto ele próprio vai se beneficiar. As pessoas gostam de ter uma estimativa dos resultados, lembre-se disso. 

Apresente aos times os impactos do PDL em três esferas: organizacional, pessoal e prática. Para a organização, o PDL deve mostrar às equipes como fazer entregas conforme o esperado, capazes de alcançar resultados previstos no período definido. 

No âmbito pessoal, sinalize aos participantes como o desenvolvimento de lideranças vai aumentar a capacidade de trabalho em equipe. Especialmente para gerenciar conflitos e desenvolver a inteligência emocional. 

Por fim, na prática, o PDL consegue demonstrar como a liderança contribui para o crescimento do negócio. Afinal, o programa deve testar as habilidades dos profissionais em situações cotidianas para avaliar o desempenho. 

Mensuração

Concluído e aplicado o Plano de Desenvolvimento de Liderança, chegou o momento de avaliar os resultados. Para mensurar o trabalho realizado, peça uma avaliação das equipes ou use formulários específicos para descobrir o nível de satisfação dos participantes.

Assim, é possível aplicar testes para avaliar o desempenho da pessoa que conduziu o treinamento ou medir a taxa de turnover. 

Por meio do conhecimento adquirido nesse conteúdo, que tal montar um ótimo programa de desenvolvimento de liderança? Comece entendendo o que faz um profissional ser um bom líder a partir da liderança comportamental. 

➡️ Para aprimorar seu conhecimento, você também pode participar de eventos de desenvolvimento de liderança, como o Leader Shift, evento exclusivo da Sólides que conta com palestrantes como Cafu, João Branco, Clóvis de Barros Filho, Rachel Maia e Mônica Hauck. Com um conteúdo que vai do estratégico às habilidades emocionais essenciais para a liderança, é uma grande oportunidade de crescimento e networking.

Perguntas frequentes sobre desenvolvimento de liderança!

Saiba detalhes importantes e amplie seu conhecimento sobre o desenvolvimento de líderes!

Como fazer treinamento de lideranças?

Para fazer um treinamento de lideranças, defina os objetivos dessa ação, como desenvolver habilidades de comunicação, tomada de decisão, resolução de conflitos e gestão de equipes. Ao elaborar o conteúdo, é importante aliar teoria e prática. Para isso, utilize exemplos reais, simulações e atividades interativas.

Quais as principais técnicas de liderança?

Entre as principais técnicas de lideraça, destacam-se a comunicação eficaz, a delegação de tarefas, a resolução de conflitos, o feedback construtivo e a construção de relacionamentos,.

Qual o significado de PDL?

No contexto empresarial, PDL (Programa de Desenvolvimento de Líderes) se refere a um conjunto de ações e iniciativas voltadas para o desenvolvimento das habilidades e competências de líderes dentro de uma organização.

Foto de Camila Poiano
Camila Poiano
Especialista em gestão comportamental de líderes e equipes no cenário das empresas de pequeno e médio porte. Já trabalhei com muitas clínicas odontológicas de vários estados do Brasil e sou empresária há 13 anos. Formada em administração de empresas pela PUC-SP, pós-graduada em Medicina Comportamental pela UNIFESP e Filosofia Integral pelo NEC, atualmente cursa sua 3a especialização em A Dinâmica dos Grupos.

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