Em qual turno do dia você produz mais e melhor? A praxe do mercado é o trabalho de 8 às 18h, ainda que existam variações. Contudo, desde que a demanda por flexibilidade passou a ser considerada, novas tendências surgiram, como é o caso do chronoworking.
O termo Crono ou Chronus vem da mitologia grega como a personificação do tempo e, atualmente, remete ao tempo cronológico. Agora, é considerado o ativo mais valioso do dia a dia das pessoas, sobretudo das que buscam equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
É justamente o desejo por uma vida mais equilibrada, ancorada no bem-estar de cada indivíduo, que nos leva ao chronoworking ou “trabalho cronológico”. Entenda por que essa tendência merece a atenção do seu RH!
O que é chronoworking?
O chronoworking é uma metodologia de gestão de tempo que permite que cada pessoa trabalhe em horários que respeitem seu ciclo circadiano em vez de seguir, necessariamente, o horário “padrão” da jornada de trabalho.
O ciclo circadiano é o ritmo natural de cada ser humano ― algo popularmente compreendido como o relógio biológico de cada pessoa. É o que faz com que uma equipe tenha profissionais mais matutinos, enquanto outros são mais produtivos no período da tarde, por exemplo.
Para criar uma ordem coletiva, alguns horários foram selecionados para que os membros da sociedade cumpram suas rotinas. É por essa razão que a maioria das pessoas trabalha ao longo do mesmo intervalo de tempo.
Contudo, considerando as diferenças nos relógios biológicos, o chronoworking propõe que as pessoas tenham 100% de flexibilidade para trabalhar nos períodos em que se sentem mais dispostas. Assim, espera-se que elas sintam-se mais produtivas.
Em suma, falamos da personalização do horário de trabalho. Uma estratégia bem vista pela biologia e pela neurociência, mas que pode ser recebida com resistência por parte dos empregadores; como é comum que ocorra com tudo que é novidade.
Quais as vantagens e desvantagens do chronoworking?
Já faz um tempo que a flexibilidade no trabalho começou a ser discutida e testada por meio de medidas como o trabalho remoto e a semana de quatro dias, por exemplo.
Com base nos testes que já ocorreram, sabemos que essas novas dinâmicas têm vantagens e desvantagens consideradas nesse processo de mudanças no dia a dia. Com o chronoworking isso também ocorre.
Vantagens do chronoworking
Entre as principais vantagens dessa metodologia estão o aumento da produtividade e do bem-estar das pessoas, e não é difícil entender o porquê.
Permitir que as pessoas cumpram suas obrigações profissionais nos períodos em que estão mais dispostas pode mudar sua relação com o trabalho para melhor. Quando estamos nos sentindo bem, fazemos nossas tarefas com mais facilidade, rapidez, entrega e até alegria.
Assim, o chronoworking é uma medida que pode contribuir para elevar a satisfação das pessoas com suas rotinas e seu trabalho, com impacto positivo na sua saúde inclusive para prevenir doenças ocupacionais como a síndrome do burnout.
Por sua vez, a satisfação favorece o engajamento, as relações interpessoais e a forma como os profissionais percebem a marca empregadora. Algo que fortalece a imagem da empresa diante de seu público interno e do mercado, e melhora sua capacidade de atrair e reter talentos.
Desvantagens do chronoworking
A desvantagem é algo que muitas empresas têm percebido ao testar outras formas de flexibilidade: a necessidade de implementar e gerir uma realidade de trabalho diferente da habitual.
No caso do chronoworking, falamos de uma possibilidade que conta com profissionais de uma mesma equipe atuando em horários distintos, de forma assíncrona, ainda que dentro de um mesmo processo ou projeto.
Sendo assim, é uma metodologia que demanda grande esforço de gestão de pessoas, comunicação e colaboração, inclusive para que acordos aconteçam e as pessoas consigam trabalhar bem juntas, ainda que em momentos diferentes.
Eventualmente, pode ser preciso que os membros de uma equipe estejam disponíveis na mesma faixa de horário para garantir que o trabalho flua da melhor forma possível.
Porém, alcançar esse consenso pode ser mais fácil do que o imaginado, desde que existam regras claras para facilitar o cumprimento de acordos entre as pessoas e com a empresa.
O que motivou essa tendência?
Qualidade de vida e produtividade. O chronoworking foi motivado por uma combinação de fatores que atendem aos interesses das pessoas e das empresas.
Assim, a tendência busca por uma vida mais equilibrada é uma ideia comum para as novas gerações de profissionais que estão moldando o futuro do mercado e do universo corporativo. Além disso, conta com adeptos também entre os mais experientes também.
O fato de 92% dos brasileiros não terem uma relação saudável com o trabalho é uma das fortes motivações para essa tentativa de mudança. O que envolve o desejo de ter vivências profissionais mais satisfatórias e que abram espaço para os cuidados com a saúde, o lazer e as atividades sociais.
Frente a tudo isso, existe a compreensão por parte dos empregadores de que o mercado está mudando. Algo que tem a ver com o desenho de novas dinâmicas de trabalho ― mais flexíveis ― e com a constante expectativa de aumento da produtividade.
Unindo o útil ao agradável, o que o chronoworking propõem é que as empresas autorizem seus colaboradores a trabalharem nos períodos em que sabem que serão capazes de produzir mais e melhor.
A saber, os dados indicam que 55% das pessoas atingem seu pico de produtividade no meio do dia. Ainda, 15% vão se sair melhor começando os trabalhos pela manhã, 15% na parte da tarde e 10% em períodos variáveis.
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Quais os desafios do chronoworking para o RH?
Para o chronoworking o maior desafio é mudar a cultura organizacional para garantir que a nova metodologia de gestão de tempo seja implementada e mantida com sucesso.
Outros desafios do chronoworking são:
- Conseguir o apoio da alta-gestão;
- Capacitar lideranças para lidar com equipes assíncronas;
- Definir as dinâmicas possíveis, considerando as atividades da empresa, e as regras para o chronoworking;
- Entender a análise de desempenho a partir da produtividade (e não do total de horas trabalhadas);
- Escolher ferramentas que contribuam para uma comunicação eficiente entre as equipes;
- Capacitar e/ou atrair profissionais que tenham a autogestão como uma de suas soft skills, entre outras questões.
Nada disso é fácil de fazer. É preciso planejar bem, preparar as pessoas e ter consciência de que o início pode render resultados diferentes do esperado para o médio e longo prazo. Encarar essa possibilidade é um desafio porque existe um risco que a empresa precisa estar pronta para assumir.
Como é possível planejar o chronoworking na empresa?
Em tese, nenhuma mudança que sugere uma revisão da cultura organizacional acontece da noite para o dia. Assim, a melhor forma de pensar o chronoworking é visando uma mudança gradual que se baseie na realidade da organização.
É fundamental entender que essa metodologia de gestão de tempo se ancora em um processo. Para além de conseguir o apoio dos tomadores de decisão, é preciso pedir que cada colaborador comece a analisar seus horários de maior disposição e produtividade.
Isso porque nem todas as pessoas já fizeram essa análise sobre seu ciclo circadiano e nem todas vão precisar fugir do que está em prática há décadas.
Além disso, outras dicas que temos para que seu RH comece a planejar o chronoworking são:
- Promover pequenos ajustes e monitorar os indicadores de desempenho;
- Usar os indicadores para embasar opções mais flexíveis de jornada de trabalho;
- Colher feedbacks para entender quais ferramentas são necessárias para facilitar a nova dinâmica de trabalho;
- Capacitar as lideranças para que entendam como acompanhar suas equipes;
- Incentivar um ambiente de transparência e diálogo constantes.
A tendência no dia a dia
Talvez você tenha chegado até este post por ter identificado o chronoworking como um dos “assuntos do momento” no universo corporativo, mas sem saber se é algo que realmente pode se tornar uma realidade em sua empresa.
Embora já existam empresas adotando a metodologia ― como a Flexa, que é baseada em Londres ―, não se trata de uma mudança simples. Por isso, após ser conhecida e considerada, demanda planejamento sério e embasado.
O dia a dia das organizações tem sido transformado de forma gradual a partir das tendências que se concretizam. A do trabalho flexível é uma que já está gerando impactos e merece sua atenção.
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