Como calcular IRRF na folha de pagamento em 2026?

O IRRF na folha de pagamento considera a soma dos vencimentos, os descontos do INSS e as alíquotas da tabela do IRRF. O valor é descontado assim que o colaborador recebe seu salário.
Tempo de leitura: 7 min
irrf na folha de pagamento

O cálculo de IRRF 2026 passou por mudanças importantes que afetam diretamente a folha de pagamento e, claro, o salário líquido dos colaboradores. 

A nova tabela entrou em vigor em janeiro de 2026, e isso exige maior atenção do Departamento Pessoal para aplicar corretamente as alíquotas, evitar inconsistências e manter a conformidade com a Receita Federal.

Mesmo parecendo técnico, entender as faixas de isenção, as deduções e o passo a passo do cálculo é essencial para quem atua com folha. Além de evitar passivos trabalhistas, esse cuidado reforça a segurança nos processos e a confiança da equipe na gestão. Entenda como tudo isso funciona na prática!

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O que é o IRRF e por que ele é retido na fonte?

O Imposto de Renda Retido na Fonte é um tributo federal recolhido diretamente pelo empregador no momento do pagamento do salário. Ou seja: a empresa age como intermediária entre o colaborador e a Receita Federal. 

Essa antecipação do imposto evita que o valor acumulado pese no bolso do contribuinte no momento da declaração anual.

A retenção é obrigatória para todas as empresas e está prevista na legislação, com base na tabela progressiva divulgada anualmente. O órgão responsável pela fiscalização e controle desse imposto é a Receita Federal do Brasil.

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Quando o IRRF deve ser aplicado na folha de pagamento?

O IRRF não incide apenas sobre o salário mensal. Há outras situações em que a empresa precisa realizar o desconto:

  • Salário mensal acima da faixa de isenção;
  • Pagamento de férias;
  • 13º salário;
  • Bônus ou remunerações variáveis (como PLR e comissões);
  • Rescisões com valores indenizatórios tributáveis.

Vale lembrar que o IRRF não é aplicado sobre verbas indenizatórias como aviso prévio indenizado ou FGTS, por exemplo.

Nova tabela do IRRF 2026: entenda faixas e alíquotas

A Lei nº 15.270/2025trouxe uma mudança importante na forma de aplicar o desconto do IRRF a partir de janeiro de 2026. A lógica agora é diferente: além da tradicional tabela progressiva mensal, foi criada uma tabela de redução do imposto — o que torna o cálculo mais equivalente para quem está nas faixas intermediárias de renda. 

Funciona assim: quem ganha até R$ 5.000 mensais tem direito a uma redução total de até R$ 312,89, o que zera o imposto devido. Já quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 tem direito a uma redução proporcional, que vai diminuindo gradualmente até zerar. Acima desse valor, não há mais direito à redução.

Veja como ficou a nova regra:

Rendimentos TributáveisRedução no IR devido
Até R$ 5.000,00Redução de até R$ 312,89, de forma que o imposto fique zerado
De R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00Redução calculada pela fórmula: R$ 978,62 – (0,133145 × rendimento tributável)
Acima de R$ 7.350,00Sem redução no imposto de renda

Lembre-se: essa redução é aplicada após o cálculo do imposto com base na tabela progressiva e limitada ao valor do IR calculado. Ela também se aplica ao IR do 13º salário, o que é uma novidade positiva.

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Como calcular o IRRF na folha de pagamento: passo a passo

Agora que você já conhece a tabela, vamos ao que interessa: como calcular o IRRF na folha, com segurança e sem dor de cabeça.

Para isso, siga estas etapas:

  1. Determine a base de cálculo IRRF – subtraia do salário bruto os seguintes itens: desconto do INSS, valor por dependente (R$ 189,59 por pessoa) e outras deduções IRRF, como pensão judicial ou previdência oficial;
  2. Aplique a alíquota correspondente à faixa da base de cálculo – use a tabela vigente do IRRF 2026 para encontrar a alíquota adequada;
  3. Subtraia a parcela a deduzir – cada faixa tem um valor fixo a ser abatido, conforme a tabela;
  4. Calcule o valor final a ser recolhido – este será o valor do IRRF a descontar do colaborador no mês.

Exemplo prático de cálculo do IRRF 2026

Para entender a mudança, vamos usar o exemplo de um colaborador que recebe R$ 5.000,00, valor que agora se enquadra na faixa de isenção ampliada pela Lei nº 15.270/2025.

Dados do colaborador:

  • Salário Bruto: R$ 5.000,00
  • INSS (Desconto progressivo estimado): R$ 518,82*
  • Dependentes: 0

(Nota: O valor do INSS pode variar levemente conforme a tabela previdenciária vigente).

Passo 1: Encontrar a base de cálculo

Primeiro, subtraímos o INSS do salário bruto.

R$ 5.000,00 (Bruto) – R$ 518,82 (INSS) = R$ 4.481,18 (Base de Cálculo)

Passo 2: Calcular o IRRF pela Tabela Progressiva

Mesmo com a nova lei, o sistema primeiro calcula quanto seria o imposto pelas regras tradicionais (alíquota de 22,5% para esta faixa).

(R$ 4.481,18 × 22,5%) – R$ 651,73 (Parcela a deduzir) = R$ 1.008,26 – R$ 651,73 = R$ 356,53 (Imposto Apurado)

Passo 3: Aplicar o Novo Redutor (A grande mudança)

Aqui entra a novidade de 2026 do IRRF na folha de pagamento. Como o rendimento do colaborador está na faixa de benefício da nova lei (até R$ 5.000,00), ele tem direito a um desconto adicional que cobre integralmente o imposto apurado.

  • Imposto Apurado: R$ 356,53
  • Redutor de Isenção: (–) R$ 356,53
  • Total a Pagar de IRRF: R$ 0,00 (Isento)

Ou seja, antes dessa mudança, esse colaborador pagaria R$ 356,53 de imposto. A partir de janeiro de 2026, com a aplicação do redutor, o valor descontado na folha será zero.

E quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350?

Se o salário for superior a R$ 5.000,00, a isenção total acaba, mas entra em cena o Mecanismo de Redução Progressiva. Diferente do modelo antigo, onde o imposto era “cheio”, agora existe um desconto que diminui conforme o salário aumenta.

Para esta faixa salarial (de R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00), o cálculo do IRRF segue dois momentos:

  1. Cálculo Padrão: aplica-se a tabela normal de alíquotas (22,5% ou 27,5%).
  2. Cálculo do Redutor: Usa-se a fórmula abaixo para descobrir quanto abater desse imposto.

Valor do Redutor = 978,62 – (0,133145 × Rendimento Tributável)

Exemplo prático

Vamos supor um salário bruto de um colaborador seja de R$ 7.000,00 (sem dependentes) para ver a matemática funcionando:

1. Encontrando a base de cálculo

Descontamos o INSS (teto previdenciário aproximado de R$ 908,85*).

  • Base de Cálculo = R$ 7.000,00 – R$ 908,85 = R$ 6.091,15

2. Calculando o imposto padrão

Na faixa de R$ 6.091,15, a alíquota é 27,5%.

  • (R$ 6.091,15 × 27,5%) – R$ 896,00 (dedução da faixa)
  • = R$ 1.675,06 – R$ 896,00
  • = R$ 779,06 (IRRF Provisório)

3. Aplicando a fórmula do redutor (A novidade)

Agora, calculamos o desconto extra sobre o salário bruto (rendimento tributável):

  • Redutor = 978,62 – (0,133145 × 7.000,00)
  • Redutor = 978,62 – 932,02
  • Redutor = R$ 46,60

4. Valor final na folha

  • IRRF Provisório (R$ 779,06) – Redutor (R$ 46,60)
  • Total a pagar: R$ 732,46

Note que, sem a nova lei, o colaborador pagaria R$ 779,06. Com a nova regra, ele economiza R$ 46,60.

folha de pagamento sólides

Para salários acima de R$ 7.350,00

É importante deixar claro para os colaboradores com remuneração que a a nova lei limita o benefício.

Para quem possui rendimento tributável superior a R$ 7.350,00, o cálculo do redutor zera. Ou seja, volta-se a aplicar a regra tradicional do IRRF na folha de pagamento, sem descontos adicionais da nova fórmula.

Veja como fica o cálculo para um gestor ou profissional sênior que recebe R$ 8.500,00 (sem dependentes):

1. Encontrando a base de cálculo

Subtraímos o INSS (considerando o teto previdenciário estimado de 2026).

  • Salário bruto de exemplo: R$ 8.500,00
  • (–) INSS (Teto estimado): R$ 951,62*
  • Base de Cálculo: R$ 7.548,38

2. Calculando o IRRF (Tabela Progressiva)

Com essa base, o colaborador entra na faixa máxima (27,5%).

  • (R$ 7.548,38 × 27,5%) – R$ 896,00 (parcela a deduzir padrão)
  • = R$ 2.075,80 – R$ 896,00
  • = R$ 1.179,80 (Imposto a Pagar)

3. Verificando o redutor adicional

Se tentássemos aplicar a fórmula do redutor para este salário, o resultado seria negativo ou nulo, pois a lei estabelece o corte em R$ 7.350,00.

Conclusão: Para rendimentos acima desse teto, nada muda. O valor descontado na folha de pagamento continua sendo integralmente o calculado pela tabela progressiva tradicional (neste exemplo, R$ 1.179,80).

IRRF, INSS e encargos: como se relacionam na folha

Embora sejam tributos distintos, o IRRF e o INSS se complementam no cálculo da folha. O INSS é sempre descontado antes do IRRF e impacta diretamente na base de cálculo do imposto.

Ambos são obrigatórios, mas têm finalidades diferentes: o INSS garante benefícios previdenciários; o IRRF é um adiantamento do Imposto de Renda.

É importante ter em mente que o IRRF só incide após descontar o INSS e outras deduções previstas.

Boas práticas para um DP sem erros no IRRF

Evitar erros no IRRF na folha de pagamento e começa com uma boa gestão da folha. Veja algumas recomendações:

  • Use um sistema de folha de pagamento confiável e atualizado;
  • Acompanhe mudanças legais com frequência;
  • Crie checklists mensais de conferência;
  • Treine a equipe sobre deduções, alíquotas e cruzamento com o eSocial;
  • Utilize planilhas automatizadas ou recursos digitais para revisar os cálculos.

Leia mais:

Automatize seus cálculos e reduza riscos

Quando o cálculo do IRRF depende de controles manuais, o risco de erro aumenta e, com ele, retrabalho, inconsistências no eSocial e possíveis passivos trabalhistas. Além de consumir tempo do DP, esse cenário compromete a confiabilidade da folha e a segurança das decisões.

Com a Folha de Pagamento Digital da Sólides, sua empresa automatiza cálculos complexos, acompanha atualizações da legislação de forma contínua e reduz falhas operacionais que impactam diretamente o fechamento da folha. Tudo isso com mais agilidade, padronização e controle sobre os processos.

Na prática, isso significa menos tempo conferindo cálculos, mais segurança nas entregas e uma operação preparada para crescer sem aumentar o risco.

Se a sua empresa busca eficiência sem abrir mão da conformidade, vale conhecer como a Sólides pode transformar a gestão da sua folha de pagamento.

FAQ: principais dúvidas sobre IRRF 2026

1- Como calcular IRRF na folha de pagamento?

A base de cálculo é o salário bruto menos o INSS, dependentes e outras deduções. Depois, aplica-se a alíquota da tabela do IRRF e subtrai-se a parcela dedutível.

2- Quem está isento do IRRF?

Em 2026, quem recebe até R$ 5.000 por mês está isento do imposto, conforme a nova tabela.

3- Qual a diferença entre IRRF e INSS?

O INSS é um tributo previdenciário; o IRRF é um imposto federal sobre a renda. O INSS é descontado antes e reduz a base de cálculo do IRRF.

4- Dependentes reduzem o IRRF?

Sim. Cada dependente gera uma dedução de R$ 189,59 por mês (valor de 2025). O total é abatido da base de cálculo do imposto.

Foto de Vanessa Soares
Vanessa Soares
Vanessa Soares é Auditora e Consultora Jurídica Trabalhista, com mais de 20 anos de experiência em Administração de Pessoal, Legislação Trabalhista, eSocial e implantação de sistemas de folha. Professora e palestrante, atua ajudando empresas a reduzirem riscos trabalhistas e a estruturarem um Departamento Pessoal mais eficiente, estratégico e seguro.

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