A Copa do Mundo acontece em um momento de profunda transformação nas relações de trabalho.
Com o evento em 2026, as empresas encontram um cenário onde o bem-estar e a flexibilidade deixaram de ser benefícios adicionais para se tornarem pressupostos básicos da gestão moderna.
Na realidade, dados do Mapa do RH & DP 2025 revelam que a promoção da saúde mental e do bem-estar já é o principal desafio estratégico para 37% dos profissionais da área.
Estruturar o horário de trabalho durante esse período é fundamental para manter o engajamento e a segurança jurídica da organização.
O resultado disso é a prevenção de passivos trabalhistas e a garantia de que as escalas operacionais funcionem sem ruídos.
Além disso, o cuidado com a jornada demonstra sensibilidade às expectativas da equipe, o que impacta diretamente na percepção de valor da marca empregadora.
Neste artigo, você vai entender as regras da CLT para os dias de jogos, como organizar acordos de compensação de horas e quais as melhores práticas para conciliar a produtividade com o clima organizacional.
A empresa é obrigada a liberar o colaborador nos jogos do Brasil?
Não existe uma obrigatoriedade legal para que as empresas liberem seus colaboradores durante os jogos da seleção brasileira.
Diferente do que muitos pensam, os dias de partida na Copa do Mundo não são considerados feriados nacionais ou pontos facultativos automáticos para o setor privado.
Na prática,a decisão de paralisar as atividades ou manter o expediente normal cabe exclusivamente ao empregador, que possui o poder diretivo sobre a jornada de trabalho.
O resultado disso é que a ausência injustificada do colaborador no horário de serviço pode acarretar descontos no salário e sanções disciplinares. Mas, por outro lado, a maioria das organizações opta pela flexibilização como forma de manter o bom clima organizacional e evitar a queda de produtividade que naturalmente ocorre durante esses eventos.
Somado a isso, o planejamento antecipado permite que a empresa organize escalas que não prejudiquem a operação.
O papel da empresa e a base legal na jornada
A base para a gestão desses horários está no Artigo 74 da CLT, que estabelece a obrigatoriedade do registro de ponto para estabelecimentos com mais de 20 colaboradores.
Mesmo em dias de jogos, o controle de jornada deve ser rigoroso para garantir a segurança jurídica de ambas as partes.
Assim, qualquer alteração no horário habitual, seja para dispensa total ou saída antecipada, precisa ser formalizada e registrada adequadamente no sistema de ponto.
O que a CLT diz sobre folgas e feriados na Copa do Mundo?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não prevê folga automática ou feriado em dias de jogos da seleção brasileira. Na realidade, a legislação brasileira é clara ao estabelecer que feriados dependem de lei federal, estadual ou municipal específica.
Como as partidas da Copa do Mundo não possuem esse amparo legal, a jornada de trabalho permanece válida conforme o contrato vigente.
Por consequência, a dispensa dos colaboradores possui natureza estritamente facultativa, dependendo de uma decisão direta do empregador.
Ainda assim, as empresas possuem autonomia para flexibilizar o expediente. O caminho mais seguro para essa prática é o uso de compensação de jornada ou banco de horas, garantindo que a operação não seja prejudicada.
Por isso, é fundamental que qualquer alteração seja acordada com antecedência para evitar dúvidas.
Com isso, o RH assegura que a liberalidade da empresa seja vista como um benefício, sem gerar obrigações permanentes ou confusões jurídicas.
Modernização e o Decreto nº 10.854
A desburocratização das normas trabalhistas ganhou força com o Decreto nº 10.854, conhecido como o Marco Regulatório Trabalhista Infralegal.
Esse decreto simplificou a interpretação de diversas regras, facilitando a vida de quem gere o Departamento Pessoal.
Na prática, ele reforça a liberdade para que empresas e colaboradores estabeleçam acordos individuais de compensação, desde que respeitados os limites constitucionais.
Essa modernização permite que a gestão do horário de trabalho durante a Copa do Mundo seja feita de forma mais ágil e direta. Outro ponto é que, ao seguir as diretrizes de simplificação, a empresa reduz a complexidade administrativa na hora de lançar essas horas no sistema.
Assim, a tecnologia aliada à nova regulamentação permite uma gestão transparente, onde o foco deixa de ser apenas o controle rígido e passa a ser a eficiência operacional combinada com a satisfação da equipe.
3 formas de organizar o horário de trabalho durante a Copa do Mundo
A definição do modelo de jornada durante o evento deve unir a necessidade operacional com a flexibilidade esperada pelos colaboradores.
Existem três caminhos principais que garantem a segurança jurídica da empresa e o engajamento da equipe:
Acordo de compensação de jornada
A compensação de jornada é uma das alternativas mais comuns para os dias de jogos.
Neste caso, a empresa libera o colaborador durante a partida e as horas não trabalhadas são repostas em outros dias da mesma semana ou mês.
Para que essa modalidade seja segura, é necessário observar o Artigo 59 da CLT, que limita a prorrogação da jornada a, no máximo, 2 horas extras diárias.
Isso provoca uma gestão equilibrada que não onera a folha de pagamento com horas extras.
Mas, por outro lado, o departamento pessoal deve garantir que o acordo de compensação esteja formalizado individualmente ou por meio de convenção coletiva.
Com isso, a organização mantém a produtividade sem gerar riscos de irregularidades no banco de horas.
Utilização do banco de horas para os jogos
O banco de horas funciona como uma reserva onde as ausências durante os jogos são lançadas como débito para o colaborador.
Somado a isso, o prazo para a compensação dessas horas deve seguir o que foi estabelecido no acordo: até seis meses para acordos individuais ou um ano se houver participação do sindicato.
Esta flexibilidade permite que a equipe aproveite o evento sem pressões imediatas de reposição.
A transparência no lançamento desses dados é fundamental. Utilizar ferramentas de ponto digital que permitam ao funcionário acompanhar seu saldo em tempo real evita surpresas e ruídos na comunicação.
Portanto, a tecnologia atua como um facilitador, assegurando que o departamento pessoal tenha um controle fiel das horas trabalhadas e compensadas durante o período da Copa do Mundo.
Leia mais sobre o assunto em: Sistema de ponto eletrônico: o que é, vantagens e como implantar
Dispensa por liberalidade e marca empregadora
Muitas organizações optam por dispensar a equipe sem a necessidade de reposição das horas, tratando o período como um benefício concedido.
Essa escolha estratégica foca diretamente na experiência do colaborador e no fortalecimento da cultura organizacional.
Na realidade, ao adotar essa postura, a empresa demonstra confiança e valorização da saúde mental, pontos que são prioridade para as novas gerações de talentos.
Ainda que não haja reposição, o registro de ponto continua sendo indispensável conforme o Artigo 74 da CLT. O departamento pessoal deve realizar as anotações corretamente, justificando a ausência como abono por liberalidade da empresa.
“É super importante ter isso tudo formalizado, ter isso tudo registrado e ter essa transparência na comunicação com o time. O controle de ponto digital retrata de fato a realidade e evita passivos trabalhistas enormes para a empresa.”
Como a flexibilização impacta a retenção de talentos?
A flexibilização da jornada durante a Copa do Mundo funciona como um fator decisivo para a retenção de talentos em 2026.
O Panorama Gestão de Pessoas Brasil 2025 aponta que a promoção da saúde mental e do bem-estar se consolidou como o eixo central das novas práticas de gestão.
Por outro lado, o mercado atual rejeita empresas que ignoram o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, classificando essa postura como uma prática obsoleta.
O resultado disso é que a flexibilidade de horário impacta diretamente a satisfação e o desejo de permanência do colaborador.
Dados do relatório indicam que 41% dos profissionais consideram deixar a empresa nos próximos 12 meses. Somado a isso, o reconhecimento pelo trabalho e o apoio ao desenvolvimento são os maiores motores de motivação.
Bem-estar como pilar inegociável
A busca por qualidade de vida superou as demandas meramente operacionais.
Como vimos, a promoção do bem-estar no trabalho é o principal desafio para 37% dos profissionais da área.
Isso significa que a centralidade do bem-estar deve estar refletida nas rotinas de gestão, incluindo a definição de prazos e metas durante o período do evento.
Também vale considerar que o modelo híbrido e flexível é a preferência absoluta da maioria dos trabalhadores. Para os mais jovens (Geração Z), a autonomia e a liberdade são fatores fundamentais para o engajamento.
Assim, ao alinhar o horário de trabalho com o interesse nacional pela Copa, a organização fortalece o vínculo de confiança, reduzindo a rotatividade e tornando a marca empregadora impossível de copiar.
Cuidados jurídicos para evitar processos trabalhistas
Para garantir a segurança jurídica e a eficiência operacional durante a Copa do Mundo, o departamento pessoal deve adotar medidas preventivas que resguardem a organização contra inconsistências na jornada.
A organização das escalas e o registro rigoroso das horas são os pilares para evitar que a flexibilidade se transforme em um problema legal.
Confira os cuidados essenciais para estruturar esse período:
- Planejamento antecipado das escalas: Defina com antecedência quem será liberado e como as tarefas serão redistribuídas. Isso evita a sobrecarga de quem permanece em atividade e previne o risco de acúmulo indevido de funções, um dos principais motivadores de processos trabalhistas.
- Formalização de acordos de compensação: Utilize documentos escritos ou termos aditivos para registrar como as horas não trabalhadas serão repostas. Seja por banco de horas ou compensação semanal, a clareza no acordo individual ou coletivo assegura que ambas as partes estejam cientes das regras.
- Adoção de ponto digital (Portaria 671): Implemente sistemas de registro eletrônico que garantam a integridade dos dados conforme as normas do MTP. A tecnologia elimina erros de preenchimento manual e oferece transparência total sobre o saldo de horas.
- Monitoramento do limite de horas extras: Garanta que a reposição das horas não ultrapasse o limite legal de 2 horas diárias, conforme o Artigo 59 da CLT. O controle rigoroso evita que a empresa seja autuada por excesso de jornada durante o período de compensação.
- Comunicação clara e transparente: Divulgue as diretrizes de funcionamento para toda a empresa com transparência. Quando o colaborador compreende as regras de saída e retorno, o clima organizacional permanece positivo e a operação segue sem interrupções inesperadas.
O que aprendemos na Mentoria: Liderança e Gestão de Clima
A gestão do horário de trabalho durante a Copa do Mundo é mais que um desafio operacional, é uma oportunidade estratégica para fortalecer o vínculo entre líderes e liderados.
Segundo Juliana Volotão, Gerente de Customer Success na Sólides, o papel do RH moderno vai além da entrega de treinamentos, pois trata-se de criar mecanismos para que a liderança floresça e mantenha o time engajado.
“Liderar é servir com direção. O líder precisa equilibrar o foco em processos e metas com o cuidado genuíno pelas pessoas, garantindo que o ambiente de trabalho seja produtivo e inspirador ao mesmo tempo.”
Aprendizados práticos para aplicar na Copa:
- Comunique as regras de compensação de forma clara e repetitiva, pois adultos aprendem pela repetição e compreensão do propósito.
- Defina as escalas de trabalho com base nos objetivos do ano, garantindo que a flexibilidade não prejudique as entregas operacionais.
- Utilize a flexibilidade dos jogos para fortalecer a rede de apoio entre os pares, reduzindo a sensação de solidão no trabalho e aumentando o pertencimento.
Assista na íntegra a Mentoria com Juliana Volotão!
Perguntas frequentes sobre o horário de trabalho na Copa do Mundo (FAQ)
A gestão da jornada durante o evento gera dúvidas comuns para as equipes de Recursos Humanos. Reunimos as principais respostas com base na legislação e nas tendências de mercado para orientar sua tomada de decisão.
Sim. Como os dias de jogos não são feriados legais, a ausência sem autorização prévia é considerada falta injustificada. O empregador tem o direito de realizar o desconto proporcional das horas ou do dia no salário do colaborador, além de aplicar sanções disciplinares, se necessário.
As regras são equivalentes para os modelos presencial, híbrido e remoto. A empresa deve manter o mesmo rigor no controle de ponto para assegurar que a produtividade e a jornada acordada sejam respeitadas, independentemente do local de prestação de serviço.
O acordo deve ser feito por escrito, detalhando os dias de dispensa e as datas em que as horas serão repostas. É essencial respeitar o limite máximo de duas horas extras diárias para compensação. O uso de um software de ponto digital facilita a formalização e o rastreio desses dados, garantindo transparência para o colaborador e para o departamento pessoal.
Sim. Ferramentas de Inteligência Artificial já são realidade para 70% dos profissionais de RH e DP, sendo utilizadas principalmente para facilitar a gestão de tarefas e processos operacionais. Durante a Copa, essas tecnologias ajudam a prever gargalos na operação e a equilibrar as escalas de trabalho de forma automática.
A promoção do bem-estar é hoje o principal desafio para 37% dos profissionais da área. Demonstrar flexibilidade durante a Copa do Mundo é uma ação estratégica alinhada à Lei 14.831/2024, que certifica empresas que investem na saúde mental dos funcionários.
