Absenteísmo no inverno: por que as faltas aumentam e como o RH pode agir

Absenteísmo no inverno sobe por doenças respiratórias, queda de motivação e saúde mental pressionada pelo frio. Veja um plano de ação com 6 medidas para o RH.
Tempo de leitura: 7 min
Mulher trabalhando agasalhada representando taxas de Absenteísmo no inverno

O absenteísmo no inverno sobe todo ano. Gripes, resfriados, ar seco e a queda de motivação causada pelo frio formam uma combinação que pressiona a produtividade das equipes entre junho e agosto, os meses mais críticos para o Brasil.

O problema não é novo, mas a maioria das empresas ainda reage de forma improvisada: cobra atestados, redistribui tarefas e espera a estação passar.

O que faz a diferença é antecipar o pico de faltas com um plano estruturado, e o RH tem papel central nisso.

Neste artigo, você vai entender as causas reais do aumento de faltas no inverno, os impactos que passam despercebidos e seis ações práticas que o RH pode implementar antes do pico da temporada.

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Por que o absenteísmo aumenta no inverno?

O inverno concentra os maiores índices de absenteísmo do ano.

Não é coincidência: três fatores se combinam nessa época e elevam as ausências de forma simultânea.

Doenças respiratórias e o ambiente fechado do escritório

Gripes, resfriados, bronquite e sinusites têm pico entre maio e agosto no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), antes mesmo da pandemia, doenças respiratórias como gripe e influenza já representavam entre 10% e 12% de todo o absenteísmo nas empresas.

O escritório amplifica o problema. Quando as janelas ficam fechadas e os sistemas de ar-condicionado circulam o mesmo ar, a transmissão de vírus é facilitada.

Um colaborador doente que vai trabalhar pode contaminar parte da equipe em poucos dias, um ciclo que se repete ao longo de toda a estação.

Queda de motivação e a influência do clima frio

O frio afeta comportamento. A redução da luz solar e as baixas temperaturas impactam os níveis de serotonina e dopamina, neurotransmissores ligados ao humor e à motivação.

Causando mais dificuldade para sair de casa, mais sensação de cansaço e, em alguns casos, mais faltas sem justificativa clara.

Esse tipo de absenteísmo, difuso e sem atestado médico, é mais difícil de identificar. Costuma aparecer como atrasos frequentes nos relatórios de ponto antes de se transformar em ausências.

Saúde mental sazonal: quando o inverno pesa mais

Para colaboradores que já convivem com ansiedade, burnout ou depressão, o inverno funciona como catalisador.

A queda de luminosidade, o isolamento social maior e o acúmulo de demandas no fim do primeiro semestre formam um contexto desfavorável.

Segundo o Mapa do RH & DP 2025 da Sólides, 37% dos profissionais apontam o bem-estar como principal desafio da gestão de pessoas.

Mesmo assim, apenas 12% das empresas oferecem acompanhamento psicológico estruturado.

A maioria das empresas chega ao inverno sem nenhuma rede de suporte montada.

Quanto custa um pico de faltas para a empresa?

O absenteísmo no inverno não é só um problema operacional.

Ele tem custo financeiro, jurídico e de clima organizacional, e esses impactos costumam ser subestimados.

Impacto na produtividade e nas equipes

Quando um colaborador falta, o trabalho não desaparece. Ele é redistribuído para quem está presente, aumentando a carga e criando um ciclo de sobrecarga.

Equipes sobrecarregadas erram mais, entregam menos e ficam mais suscetíveis a faltar em seguida.

O presenteísmo complica ainda mais esse quadro. Colaboradores que vão trabalhar doentes ou desmotivados estão presentes fisicamente, mas com rendimento reduzido.

Entender a diferença entre absenteísmo e presenteísmo ajuda a identificar os dois problemas no diagnóstico da sua equipe.

Faltas frequentes, processos trabalhistas e o risco jurídico

Ausências ou atrasos frequentes aparecem como o segundo maior motivo de desligamento involuntário nas empresas brasileiras, com 44% das ocorrências, segundo o Mapa do RH & DP 2025 da Sólides.

Mas demitir por faltas recorrentes exige documentação adequada e respeito ao processo previsto na CLT.

Empresas que não registram ausências corretamente, não aplicam advertências conforme a legislação ou não controlam o ponto de forma confiável ficam expostas.

O mesmo relatório mostra que 63% das empresas sofreram ao menos um processo trabalhista em 2024. O inverno, quando cresce a pressão por demissões por desempenho, pode ser um gatilho direto para esse risco.

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Como calcular a taxa de absenteísmo no período

Antes de agir, é preciso medir. A taxa de absenteísmo mostra o percentual de horas não trabalhadas em relação ao total esperado.

Fórmula: Taxa de absenteísmo = (horas ausentes ÷ horas esperadas) × 100

Exemplo: uma equipe de 20 pessoas, com jornada de 8 horas diárias e 22 dias úteis no mês, tem 3.520 horas esperadas. Se as horas ausentes forem 176, a taxa é de 5%, acima do referencial tolerável para a maioria dos setores, que fica entre 1,5% e 3,5%.

Veja como calcular a taxa de absenteísmo com mais detalhes, incluindo variações da fórmula para diferentes tipos de ausência.

Monitorar esse indicador mês a mês permite identificar quando o inverno começa a pressionar os números e agir com antecedência, não apenas depois que o pico já passou.

Plano de ação do RH para o inverno: 6 medidas que funcionam

Reduzir o absenteísmo no inverno exige preparação antes do frio chegar.

As seis medidas abaixo são práticas e aplicáveis mesmo em empresas com RH enxuto.

1. Campanha de vacinação corporativa

A vacinação contra gripe é a ação com maior impacto direto. Estudos indicam que empresas que organizam campanhas corporativas reduzem entre 25% e 43% os dias perdidos por doenças sazonais.

O RH pode negociar com clínicas para oferecer vacinação no próprio local de trabalho ou reembolso para quem se vacinar por conta própria.

O custo é baixo, o retorno é imediato e a adesão tende a ser alta quando a empresa facilita o acesso.

2. Benefícios de saúde e acompanhamento médico

Plano de saúde com cobertura para clínico geral reduz o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento.

Colaboradores sem plano tendem a adiar a consulta e chegam ao trabalho doentes por mais dias, aumentando tanto o presenteísmo quanto a contaminação da equipe.

Benefícios como telemedicina e acesso a aplicativos de saúde mental ajudam a tratar o problema antes que ele vire falta.

Saiba mais sobre como promover saúde mental no trabalho com ações que cabem no orçamento de PMEs.

3. Gestão eficiente de atestados médicos

A equipe de DP precisa estar preparada para o volume maior de atestados no inverno.

Isso inclui saber quais documentos são válidos, quais ausências são justificadas pela CLT e quando uma série de atestados pode indicar incapacidade para o trabalho e gerar afastamento pelo INSS.

O guia completo sobre atestado médico orienta os profissionais de DP na gestão desses documentos, incluindo prazos, validade e procedimentos corretos.

Sem esse processo estruturado, o RH corre risco de aceitar documentos inválidos, negar justificativas legítimas ou deixar de registrar ausências que deveriam alimentar advertências.

Entenda também as regras para lidar com faltas injustificadas e os passos corretos antes de qualquer medida disciplinar.

4. Qualidade do ar e ergonomia do ambiente

Ambientes com ar-condicionado em recirculação e baixa umidade favorecem a proliferação de vírus e provocam irritações nas vias respiratórias.

Medidas simples reduzem esse risco: manter a umidade relativa do ar entre 40% e 60% com umidificadores, abrir janelas nos horários mais quentes para renovar o ar, higienizar os filtros do ar-condicionado antes do inverno e disponibilizar álcool gel em pontos estratégicos.

Essas ações não eliminam o risco, mas reduzem a velocidade de transmissão dentro do escritório.

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5. Flexibilidade e trabalho remoto nos dias críticos

Colaboradores com sintomas leves que vão ao escritório contaminam colegas e trabalham abaixo da capacidade.

Permitir home office nesses casos reduz a disseminação e mantém algum nível de produtividade.

Empresas com política de trabalho remoto ou horário flexível têm menos absenteísmo no inverno porque o colaborador não precisa escolher entre ir doente ao escritório ou faltar completamente.

Mesmo em operações presenciais, criar uma exceção temporária para doenças respiratórias leves é uma medida que se paga.

6. Monitoramento contínuo com dados de RH

Nenhuma das cinco medidas anteriores funciona sem dados. O RH precisa acompanhar a taxa de absenteísmo semana a semana durante o inverno, identificar quais equipes estão mais afetadas e agir antes que o problema se espalhe.

Softwares de RH com módulos de controle de ponto e relatórios de ausência automatizam esse monitoramento.

O papel do RH além das faltas: clima e engajamento

Reduzir o absenteísmo no inverno não é só uma questão de saúde física. O clima organizacional é uma variável central: equipes engajadas faltam menos, mesmo quando o frio aumenta.

O RH pode usar o período anterior ao inverno para realizar uma pesquisa de clima e identificar quais equipes estão mais desmotivadas ou sobrecarregadas.

Essas equipes chegam à estação com menos resiliência para absorver a pressão da temporada.

Gestores bem preparados também fazem diferença. Um líder que reconhece sinais de esgotamento, flexibiliza quando necessário e mantém comunicação aberta reduz o absenteísmo por motivação, que não aparece nos atestados, mas aparece nos relatórios de ponto.

O bem-estar dos colaboradores deixou de ser pauta de RH avançado para se tornar uma necessidade operacional.

Ignorar o inverno como fator de risco é deixar de proteger um ativo que a empresa levou tempo para construir.

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Dúvidas frequentes sobre absenteísmo no inverno

Por que o absenteísmo aumenta no inverno?

O principal fator são as doenças respiratórias, que se disseminam mais facilmente em ambientes fechados e com baixa umidade. A queda de motivação causada pelo frio e pela redução da luz solar também contribui. Segundo a OMS, gripes e doenças respiratórias representavam entre 10% e 12% de todo o absenteísmo nas empresas antes mesmo da pandemia, com concentração nos meses mais frios.

A empresa é obrigada a pagar os dias de falta por gripe?

Sim, quando o colaborador apresenta atestado médico válido. Pela CLT, a ausência justificada por doença comprovada não pode ser descontada do salário. A partir do 16º dia de afastamento, o pagamento passa a ser responsabilidade do INSS via auxílio-doença.

Como saber se a taxa de absenteísmo está alta?

Calcule o percentual mensal: divida as horas ausentes pelo total de horas esperadas e multiplique por 100. Taxas acima de 3,5% ao mês são consideradas altas pela maioria dos especialistas. No inverno, um aumento de até 1,5 ponto percentual em relação à média anual é esperado. Acima disso, há necessidade de ação.

Posso demitir um colaborador por faltas recorrentes no inverno?

Sim, mas o processo precisa seguir as regras da CLT: registro formal das ausências, advertências documentadas e, nos casos mais graves, suspensão antes da demissão por justa causa. Faltas justificadas com atestado não podem fundamentar justa causa. Recomenda-se suporte jurídico antes de qualquer decisão nesse sentido.

O que é presenteísmo e por que importa no inverno?

Presenteísmo é quando o colaborador está presente, mas com rendimento comprometido, por doença, desmotivação ou esgotamento. No inverno, é comum encontrar pessoas trabalhando gripadas, o que reduz a produtividade e aumenta o risco de contaminação da equipe. O presenteísmo não aparece nas métricas de absenteísmo, mas tem impacto equivalente ou maior na performance

O inverno é previsível. O pico de absenteísmo também é. A diferença entre empresas que absorvem esse impacto com naturalidade e as que enfrentam queda de produtividade e crises de equipe está no nível de preparação do RH.

Vacinação, gestão correta de atestados, qualidade do ambiente, flexibilidade e monitoramento de indicadores são ações aplicáveis em qualquer empresa, independentemente do porte.

O pré-requisito é começar antes do frio chegar.

A Sólides oferece um sistema completo de RH e DP para ajudar sua empresa a monitorar ausências, gerenciar jornada e estruturar ações de bem-estar ao longo do ano. Conheça a plataforma e veja como transformar dados de absenteísmo em decisões estratégicas.

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Foto de Sabrina Camilo
Sabrina Camilo
Analista Comportamental na Sólides e graduada em Administração pela UNA, é facilitadora da Formação Profiler. Com experiência em gestão comportamental e Sales Enablement, atua conectando a análise de perfis à estratégia de negócios para potencializar a liderança, o desenvolvimento humano e a gestão estratégica de pessoas.

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