Segunda-feira mínima: será que é uma boa ideia para a sua empresa?

A segunda-feira mínima é o ato de diminuir a carga de trabalho no primeiro dia útil da semana, ajudando com o balanço entre a vida pessoal e profissional.
Tempo de leitura: 6 min
Segunda-feira mínima

Quem nunca sentiu aquela ansiedade no final de domingo só de pensar que o dia seguinte já é o primeiro dia útil e toda a rotina irá recomeçar? Se você também é uma dessas, precisa conhecer o conceito de segunda-feira mínima.

Este é um fenômeno que nasceu das redes sociais, mas o conceito rapidamente se espalhou pelas empresas dos mais diversos nichos, levantando várias discussões a respeito do seu impacto na saúde mental dos colaboradores.

Ficou curioso para saber o que é a segunda-feira mínima e quais os cuidados para aplicá-la em sua empresa?

Confira os tópicos que abordamos neste artigo e boa leitura.

O que é segunda-feira mínima

Também chamado de “bare minimum Mondays”, a segunda-feira mínima nada mais é do que trabalhar o mínimo possível como forma de compensar todo o trabalho que ainda está por vir. Também é uma forma de amortecer a transição entre o final de semana e os dias de trabalho.

O conceito foi inicialmente criado por Marisa Jo Mayes, que, ao deixar o seu emprego corporativo como vendedora de produtos médicos, se viu em um cenário muito similar.

Sua motivação para trocar o emprego tradicional pelo empreendedorismo foi o burnout e as cobranças. Mas ela logo viu que muitos dos problemas que geraram essa condição estavam enraizados em si.

“Então, eu faria uma lista de tarefas insanamente longa para as segundas-feiras, na esperança de voltar a me sentir bem comigo mesmo através com o quanto era capaz de produzir.”

Nesse cenário, ela se sentia ansiosa todos os domingos, gerando uma pressão tão grande ou até maior que a sua situação de trabalho anterior. Até que criou a segunda-feira mínima.

Ao invés de criar listas irrealistas com inúmeras tarefas, ela foca em duas ou três. Como resultado, passou a se sentir muito menos estressada e passou a investir em mais atividades que impulsionam a sua saúde mental.

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Como é a segunda-feira mínima na prática?

Falamos que é a segunda-feira mínima, mas como este conceito pode ser materializado em sua empresa? 

Na prática, este conceito é muito simples, basta abandonar a lista interminável de coisas para fazer que costumam assombrar vários trabalhadores e escolher duas ou três tarefas que têm a maior prioridade.

Esta tendência, que começou a se espalhar em uma rede social, revela como o mercado tende a responder cada vez mais ao colaborador e suas necessidades, ambições e objetivos específicos, espelhando uma preocupação maior com a qualidade de vida no trabalho.

Promover um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é algo que tem deixado os analistas de RH pensativos sobre como aplicar essas tendências e um modelo de gestão people first.

Mas claro, como uma nova prática ela não traz somente benefícios para a organização, suas práticas e processos. Sendo assim, é interessante entender quais são os riscos de adotar uma estratégia como essa. Confira a seguir.

Quais são os riscos da prática da segunda-feira mínima na empresa?

Esta é uma tendência que ganhou espaço muito recentemente, sendo assim, é difícil realmente medir o seu efeito nos colaboradores e na produtividade da empresa.

Um exemplo prático de como a segunda-feira mínima pode causar alguma perturbação nas empresas e suas rotinas é que este dia costuma servir para programar o resto da semana. Assim, existe um conjunto de reuniões que precisam ser reavaliadas.

Dessa forma, o “atraso” do trabalho que deveria ter sido desempenhado na segunda atrasa o dos dias subsequentes. Aliado a isso, pode acabar criando uma visão coletiva de que aquelas funções não são necessárias.

Contudo, esses são desafios que podem ser superados com uma reorganização do trabalho e a adição de novas nuances à cultura organizacional.

Também é importante estar atento a outras que podem instigar a “síndrome da segunda-feira” como excesso de demandas, rotinas exaustivas e não flexíveis, um clima organizacional pesado etc.

Esse é um dos benefícios que podem ser aplicados pelas empresas como estratégia para seguir uma verdadeira tendência mundial: a diminuição da carga horária dos colaboradores.

Veja como a segunda-feira mínima se relaciona com a jornada de 4 dias e o quiet quitting (demissão silenciosa) nos tópicos seguintes deste artigo.

Qual a relação entre segunda-feira mínima com a jornada de 4 dias?

A jornada de 4 dias, como o próprio nome sugere, é dar ao colaborador mais um dia de descanso, sendo uma verdadeira tendência ao redor do mundo. Para saber um pouquinho mais sobre ela, confira esse post que dizemos lá para o Instagram da Sólides:

Mesmo ainda estando na fase de teste, a implementação da jornada de 4 dias tem apresentado resultados promissores na produtividade e melhora balanço da vida pessoal e profissional.

Mas quais as semelhanças práticas entre a segunda-feira mínima e a jornada de 4 dias?

A primeira coisa a se atentar é que se trata de uma diminuição das horas efetivas de trabalho, contudo, sem impactar a produtividade.

Ou seja, ao permitir uma segunda de trabalho mais leve, os colaboradores podem escolher apenas algumas tarefas prioritárias e dedicar-se mais a sua saúde mental e corporal.

Algo que, segundo a semana de 4 dias infere, tende a melhorar a relação do trabalhador com sua empresa.

Agora, um minutinho: que tal relembrarmos quais são as outras escalas de trabalho permitidas pela CLT? É só assistir ao vídeo que publicamos lá no canal da Sólides:

Qual a relação da segunda-feira mínima, demissão silenciosa e o quiet quitting?

O quiet quitting por sua vez é quando um colaborador entrega o mínimo possível em seus dias de trabalho ou somente o exigido da sua função, nunca indo além.

A semelhança entre os dois é que por um dia, na segunda-feira, o esforço mínimo não é somente permitido, como esperado dos colaboradores.

Dessa forma, existe uma institucionalização do descanso e autocuidado. Apesar disso, a diferença é que o quiet quitting, o colaborador não tem interesse em fazer diferente nos demais dias.

Sendo assim, apesar de serem conceitos que brincam com o mesmo tema, não são a mesma coisa e nem estão diretamente ligados. Se algo, a segunda-feira mínima pode ser um mecanismo para evitar o quiet quitting.

O que a empresa precisa se atentar na prática da segunda-feira mínima?

Por ser uma prática nova, existem uma série de questões que precisam estar no radar do RH e demais gestores. Confira algumas delas:

Bem-estar do funcionário

A segunda-feira mínima nasce como uma forma de incentivo para que os colaboradores conquistem um melhor balanço entre suas vidas pessoais e profissionais. 

Ademais, é algo que tem um excelente potencial de aumentar a felicidade no ambiente de trabalho no longo prazo.

Flexibilidade de trabalho

Um ponto muito importante para os colaboradores, especialmente para aqueles da Geração Z que estão entrando no mercado de trabalho agora é flexibilidade.

Ao adotar a segunda-feira mínima como um benefício, os colaboradores podem sentir-se mais responsáveis pelo seu trabalho e suas entregas, uma vez que devem escolher suas prioridades com cuidado.

Benefícios corporativos atrativos

Cada vez mais as empresas utilizam de benefícios para atrair e reter talentos. Aderir a algumas modalidades de trabalho que estão em alta pode contribuir para a marca empregadora demonstrando ser uma empresa moderna e capaz de se adaptar a novos cenários.

Sendo assim, este é um excelente atrativo para mostrar aos colaboradores que a corporação se importa com seu bem-estar e atrair candidatos cada vez melhores para as próximas seleções.

Clima organizacional

Pessoas que estão bem com a empresa que trabalham tendem a trazer melhores energias para o seu ambiente de trabalho.

Assim, é de se esperar que um benefício como a segunda-feira mínima melhore o clima organizacional, até porque, o tempo ocioso pode ser utilizado estrategicamente pelo RH a fim de criar um maior engajamento de todos com a empresa.

Agora, confira os materiais gratuitos que separamos para otimizar as rotinas do seu RH/DP:

  • [E-book] Pesquisa de clima organizacional
  • [Guia] 7 benefícios mais oferecidos pelas empresas
  • [E-book] Flexibilização do trabalho: sua empresa está pronta para evoluir?
  • [E-book] Bem-estar no trabalho: como garantir um ambiente saudável e aumentar o lucro da empresa

Tire suas dúvidas sobre segunda-feira mínima

O que é a segunda-feira mínima?

A segunda-feira mínima é a diminuição da carga de trabalho no primeiro dia útil da semana. Fazendo com que os colaboradores tenham menos receio de começar a semana e possam dedicar mais tempo a atividades de cuidado pessoal.

Onde surgiu esse movimento?

Este movimento surgiu nas redes sociais quando Marisa Jo Mayes percebeu que ter listas intermináveis de tarefas na segunda-feira somente aumentavam os seus níveis de estresse. Assim, ela criou a segunda-feira mínima, na qual foca em no máximo três atividades prioritárias.

Conclusão

A segunda-feira mínima ainda é um conceito bastante novo, mas já está sendo adotado por empresas de todo o mundo. É uma verdadeira tendência quando se fala de gestão humanizada, já que permite que o colaborador tenha um bom balanço entre seu emprego e vida pessoal.

Claro, existem inúmeros desafios que devem ser levados em consideração, contudo, é uma tendência interessante e deve ser avaliada.

Quer entender mais sobre o que os colaboradores desejam das empresas que trabalham? Entenda mais sobre diversidade geracional. 

Foto de Sabrina Camilo
Sabrina Camilo
Analista Comportamental na Sólides e graduada em Administração pela UNA, é facilitadora da Formação Profiler. Com experiência em gestão comportamental e Sales Enablement, atua conectando a análise de perfis à estratégia de negócios para potencializar a liderança, o desenvolvimento humano e a gestão estratégica de pessoas.

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