Mito do orçamento: falta de aprovação da diretoria trava tecnologia em 52% dos RHs

O Mapa do RH & DP 2026, da Sólides, mostra que o software de RH já está presente em quase todas as empresas brasileiras. Mesmo assim, a maior parte delas usa a tecnologia só em parte dos processos, e o principal obstáculo para avançar está na mesa da diretoria.
Tempo de leitura: 6 min
software-de-rh-aprovacao-diretoria-mapa-2026

O software de RH virou ferramenta comum nas empresas, mas o uso completo da tecnologia ainda esbarra em uma barreira que pouca gente esperava.

Segundo o Mapa do RH & DP 2026, pesquisa da Sólides em parceria com a Offerwise, 93% das empresas já usam software de RH ou DP, porém apenas 43% aplicam a ferramenta em todos ou na maioria dos processos.

Quando os profissionais apontam o que impede esse avanço, o resultado contraria o senso comum. Afinal, a falta de aprovação da liderança é citada por 52%, enquanto o orçamento aparece para 26%, metade disso.

A pesquisa ouviu 401 profissionais de RH e DP de todo o Brasil entre 10 e 17 de abril de 2026 e comparou os resultados com a edição anterior, que teve 400 respondentes.

baixe grátis o mapa do rh e dp

Software de RH chega a 93% das empresas, mas uso completo fica em 43%

À primeira vista, a adoção parece resolvida: nove em cada dez empresas já contam com algum sistema de RH.

Quando se olha para a profundidade do uso, no entanto, o cenário muda bastante.

IndicadorResultado
Empresas que usam software de RH ou DP93%
Empresas que usam o software em todos ou na maioria dos processos43%
Principal barreira: falta de aprovação da liderança52%
Barreira: orçamento26%

Ou seja, a maioria das empresas tem a ferramenta, mas convive com processos divididos entre sistema, planilhas e controles manuais.

Enquanto isso, parte do time de RH e DP segue gastando horas com tarefas que poderiam estar automatizadas.

Por que o orçamento deixou de ser o principal entrave

Durante muito tempo, “não tem verba” foi a resposta padrão para qualquer projeto de tecnologia no RH.

Os dados do Mapa, porém, mostram que o dinheiro aparece em segundo plano.

Isso porque o custo de um software de RH caiu e se tornou mais previsível com os modelos por assinatura. Além disso, boa parte das empresas já paga por alguma ferramenta.

Portanto, ampliar o uso costuma exigir menos investimento novo do que convencimento interno.

O próprio Mapa reforça esse ponto ao mostrar que 36% das empresas tiveram aumento de orçamento em gestão de pessoas em 2026.

Assim, em muitos casos, o recurso existe, mas a decisão de direcioná-lo para tecnologia não sai do papel.

O RH tem acesso à diretoria, mas ainda não convence

O dado chama atenção porque o RH nunca esteve tão perto da alta liderança. Pelo mesmo levantamento, 81% dos times de RH e DP participam de reuniões com a diretoria, e 87% das empresas já usam dados de RH e DP para decisões estratégicas.

Diante disso, a questão deixa de ser presença na mesa e passa a ser a forma de apresentar o pedido. Um projeto de tecnologia defendido apenas como “facilidade para o RH” compete com prioridades de vendas, operação e finanças.

Por outro lado, quando o mesmo projeto vem acompanhado de números de economia, risco e produtividade, ele entra na pauta da diretoria com outro peso.

Nova call to action

O que pode explicar a resistência da liderança

Ao revelar essa barreira, o Mapa abre espaço para uma reflexão sobre como o RH conduz a conversa com a alta gestão.

Nesse sentido, a rotina das empresas ajuda a levantar algumas hipóteses:

  • Benefício pouco tangível: a diretoria ouve sobre “agilidade” e “eficiência”, mas não vê quanto isso representa em reais ou em horas.

  • Risco não dimensionado: erros de folha, passivos trabalhistas e falhas no controle de jornada raramente aparecem calculados na proposta.

  • Visão do RH como área operacional: quando a liderança enxerga o RH só como executor de rotinas, a tecnologia parece custo, sem relação com o resultado do negócio.

  • Medo de mudança: trocar ou ampliar sistemas envolve migração de dados e treinamento, o que gera receio de interrupção.

Como conquistar a aprovação da diretoria para tecnologia no RH

Diante desse cenário, o caminho é tratar o pedido de tecnologia como um projeto de negócio, com números e prazos. Para isso, estes passos ajudam:

  1. Mapeie o tempo gasto com tarefas manuais: levante quantas horas por mês o time dedica a folha, ponto, admissão e relatórios fora do sistema.

  2. Transforme horas em custo: multiplique esse tempo pelo custo da hora do time e mostre o valor anual desperdiçado com retrabalho.

  3. Dimensione os riscos: inclua o impacto de erros de cálculo, multas e ações trabalhistas que um processo automatizado ajuda a evitar.

  4. Apresente o retorno esperado: assim como no ROI do ponto eletrônico para a diretoria, compare o custo da ferramenta com a economia projetada.

  5. Conecte a tecnologia às metas da empresa: mostre como dados mais confiáveis apoiam decisões sobre turnover, produtividade e crescimento do quadro.

  6. Proponha uma implantação por etapas: começar por um processo crítico reduz o receio de mudança e gera resultados rápidos para apresentar.

Quais indicadores levar para a reunião com a diretoria

Antes de tudo, a liderança decide com base em números. Por isso, acompanhar os indicadores de RH certos ajuda a sustentar a proposta com fatos.

IndicadorO que mostra para a diretoria
Horas gastas em tarefas manuaisCapacidade do time desperdiçada com retrabalho
Taxa de erros na folhaRisco financeiro e trabalhista do processo atual
Tempo de admissãoAgilidade para colocar novos profissionais em operação
TurnoverCusto de reposição que a gestão de pessoas ajuda a reduzir
Custo do RH por colaboradorEficiência da área em relação ao tamanho da empresa

Além disso, vale registrar a situação atual antes da implantação. Desse modo, o RH consegue comparar o antes e o depois e mostrar à diretoria que a aprovação gerou resultado.

Como reportar números para a diretoria, segundo Rafael Kahane, CMO da Sólides, no CONARH

Ter os indicadores em mãos é só metade do caminho. A outra metade está na forma de apresentá-los, e foi justamente esse o tema que Rafael Kahane trouxe durante sua palestra no CONARH 2026, na trilha Visão Executiva.

Segundo ele, o RH precisa trocar o dado que descreve pelo dado que decide. Em vez de dizer “o turnover fechou em 18%”, por exemplo, a área ganha mais atenção ao dizer “a rotatividade custou R$ 4,2 milhões e atrasou o roadmap em dois sprints”.

Afinal, o primeiro número o C-level esquece na hora, enquanto o segundo ele leva para a próxima reunião.

Adapte o argumento a cada liderança

Além de traduzir os números em impacto, vale ajustar a conversa ao que cada executivo acompanha. Na palestra, Kahane deu dois exemplos:

  • Para o diretor comercial (CRO): diante de uma rotatividade alta entre vendedores, o argumento certo é de produtividade, ou seja, quanto custa a cadeira vazia e quanto tempo o substituto leva para produzir.

  • Para o diretor de marketing (CMO): em um cenário de baixa preparação dos líderes para a IA, o argumento certo é de requalificação, já que o gargalo está nas pessoas.

O mesmo raciocínio vale para o pedido de tecnologia. Para o financeiro, o foco é custo evitado; para a operação, horas liberadas; para o jurídico, risco trabalhista reduzido.

Atue como parceiro de negócio

Por trás dessa mudança de linguagem está uma postura. Para Rafael, ser business partner depende do comportamento do profissional, independentemente do cargo:

Rafael Kahane

CONARH 2026

“Todo profissional de RH deveria se ver como um parceiro de negócio de cada área para atender e para solucionar, e não apenas como um executor de demandas.”

Rafael Kahane, CMO da Sólides

Kahane também conectou esse ponto ao Mapa do RH & DP: segundo ele, empresas que ainda operam com tecnologia parcial, fragmentada ou manual em alguma etapa de RH e DP seguem respondendo “quantos” para a diretoria, sem conseguir responder “por quê”.

Em outras palavras, sem dados integrados, o RH até chega à reunião, mas tem dificuldade de permanecer nela.

Integração dos processos é o próximo passo

Ter um sistema para cada rotina já foi o padrão do mercado. Hoje, no entanto, ferramentas isoladas são justamente um dos motivos que mantêm o uso do software restrito a poucos processos.

Isso porque, quando ponto, folha, admissão e desempenho ficam em plataformas diferentes, o time precisa repassar informações manualmente de um sistema para outro.

Por isso, a digitalização do RH avança mais rápido quando os processos ficam reunidos em uma plataforma de RH completa, com dados conectados e um único ponto de acesso.

Com tudo integrado, a automação de processos deixa de ser pontual e passa a cobrir a jornada inteira do colaborador.

Assim, o RH ganha tempo para atuar de forma mais estratégica, e a diretoria passa a receber os dados de que precisa para decidir.

Tecnologia no RH avança quando o RH fala a língua da diretoria

Em resumo, o software de RH já faz parte da rotina de quase todas as empresas brasileiras. Por outro lado, o fato de a aprovação da liderança pesar o dobro do orçamento mostra que o próximo avanço depende menos de verba e mais de argumentos.

O desafio agora é levar à diretoria números claros de economia, risco e resultado, para que a tecnologia deixe de cobrir só parte dos processos.

⭐ Quer ver todos os números da pesquisa? Acesse o Mapa do RH & DP 2026 completo e confira o panorama de remuneração, tecnologia, benefícios, retenção e desenvolvimento no RH e DP brasileiro.

Perguntas frequentes sobre software de RH

Quantas empresas usam software de RH no Brasil?

Segundo o Mapa do RH & DP 2026 da Sólides, 93% das empresas usam software de RH ou DP. Porém, apenas 43% aplicam a ferramenta em todos ou na maioria dos processos.

Qual é a principal barreira para ampliar o uso de tecnologia no RH?

A falta de aprovação da liderança, citada por 52% dos profissionais de RH e DP no Mapa do RH & DP 2026. O orçamento aparece em segundo plano, com 26%.

Como convencer a diretoria a investir em software de RH?

Apresente o pedido como projeto de negócio, com horas economizadas, custo do retrabalho, riscos trabalhistas evitados e retorno esperado. Além disso, proponha uma implantação por etapas para gerar resultados rápidos.

Quais processos o software de RH pode automatizar?

Controle de ponto, folha de pagamento, admissão digital, avaliação de desempenho, recrutamento e seleção, pesquisa de clima e gestão de benefícios, entre outros.

Foto de Aluysio Ferreira
Aluysio Ferreira
Especialista em estratégias para o mercado SaaS e Head de Geração de Demanda na Sólides, acumula 13 anos de atuação em marketing digital e gestão de equipes. Graduado pela UFMG e com especialização em precificação pelo MIT, é referência na aplicação de metodologias como ABM e Inbound para a formação de líderes estratégicos.

Você também vai gostar!

PDI: exemplo de como fazer (com planilha) e boas práticas para ter sucesso!

O PDI é uma estratégia que identifica metas e ações personalizadas para aprimorar habilidades e avançar na carreira profissional. Saiba mais!

Conteúdo criado por humano

Demissão por justa causa: o guia completo

A demissão por justa causa ocorre quando o empregado comete faltas graves, como indisciplina ou fraude, resultando na perda de direitos rescisórios. Saiba mais.

Conteúdo criado por humano

INSS 2026: tabela e como calcular a dedução do imposto

A tabela do INSS é atualizada todos os anos para que todos possam utilizá-la para calcular os descontos, fazendo com que eles sejam mais justos. Entenda!

Conteúdo criado por humano

Materiais Gratuitos

Acesse e baixe gratuitamente nossos guias, materiais, kits, ferramentas e muito mais!

Calculadora de Folha de Pagamento

Como reduzir o turnover em médias e grandes empresas

Dashboard completo do seu Turnover: Descubra o Prejuízo Oculto

Calculadora de Turnover Online: meça a rotatividade do seu RH

Sua empresa passa no VAR do Recrutamento e Seleção?

Por Trás da Folha | Podcast

Lidere a Geração Z: Kit para gerir novos talentos

Kit de conteúdos NR-1

Faça login em sua conta Sólides

É nosso cliente ou usuário e precisa de suporte?