O presenteísmo é um desafio crescente no ambiente de trabalho moderno e afeta tanto o desempenho individual quanto as organizações. Segundo o Panorama Solides, 35,2% dos jovens entre 18 e 24 anos sentem que suas empresas não se preocupam com sua saúde mental, enquanto 19,5% das outras faixas etárias compartilham dessa percepção.
Vemos um sintoma que indica a urgente atenção por parte dos profissionais de Recursos Humanos. Por isso, é essencial entender causas, efeitos e estratégias de prevenção para promover um ambiente de trabalho saudável e produtivo e é sobre isso que vamos falar neste artigo!
O que significa presenteísmo?
O presenteísmo acontece quando um funcionário está presente fisicamente no local de trabalho, mas não está realmente engajado ou produtivo.
Isso ocorre frequentemente devido a fatores como estresse, excesso de tarefas e condições laborais desgastantes. Esses elementos podem levar os funcionários a se desconectarem mentalmente do ambiente de trabalho, mesmo estando presentes fisicamente.
Assim, alguns elementos da cultura organizacional podem levar os colaboradores a se desconectarem mentalmente do ambiente de trabalho, mesmo quando há presença física. Essa condição prejudica o desempenho individual do colaborador e pode acarretar problemas de saúde a longo prazo.
É importante ressaltar que o presenteísmo não é intencional. Ele se assemelha a qualquer outro transtorno mental e requer atenção e intervenção adequadas por parte do setor de Gestão de Pessoas.
O que causa o presenteísmo?
O presenteísmo pode ser ocasionado por diversos fatores externos ao ambiente de trabalho. Questões de saúde, problemas familiares e dificuldades financeiras podem gerar distrações e prejudicar o envolvimento do funcionário nas atividades laborais.
Além disso, a síndrome de Burnout, caracterizada pela exaustão física e emocional, também pode contribuir significativamente para o presenteísmo. Outros motivos incluem:
- falta de alinhamento com a cultura da empresa;
- ausência de oportunidades de crescimento;
- problemas de gestão resultantes em perda de motivação;
- insatisfação por parte dos colaboradores.
Quais os efeitos do presenteísmo?
O presenteísmo pode parecer inofensivo, mas suas consequências são sérias tanto para os profissionais quanto para as organizações.
Uma pesquisa da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) revelou que 72% dos brasileiros estão estressados no trabalho, destacando a preocupação com a saúde mental dos trabalhadores.
Essa realidade é ainda mais evidente em pesquisas do Reino Unido, onde cerca de 80% dos profissionais entrevistados relataram o fenômeno em suas empresas. Alguns efeitos disso são:
- Quedas na produtividade e qualidade do trabalho: o colaborador não consegue se concentrar e desempenhar adequadamente suas funções, cometendo mais erros e entregando trabalhos de qualidade inferior;
- Desmotivação da equipe: a falta de engajamento do colaborador pode afetar negativamente o clima organizacional e desmotivar os colegas de equipe;
- Aumento do turnover: o presenteísmo gera um ambiente de trabalho insatisfatório, o que pode levar a uma maior rotatividade de funcionários;
- Prejuízos financeiros: a redução da produtividade e qualidade, aliada aos custos com retrabalho e substituição de funcionários, acarreta prejuízos financeiros para a empresa;
- Problemas de saúde: o presenteísmo está associado a maiores níveis de estresse e pode levar a problemas de saúde mental como ansiedade e depressão no colaborador.
Como identificar o presenteísmo?
Identificar o presenteísmo no ambiente corporativo requer sensibilidade para detectar sinais sutis que podem indicar que algo não vai tão bem.
Mas é importante saber que não são todos os tipos de presenteísmo que se manifestam da forma que indicaremos a seguir, cabe aos gestores de RH ficarem atentos aos sinais que incluem:
- baixa produtividade;
- falta de engajamento;
- distração;
- fadiga e desleixo;
- baixa qualidade de trabalho.
Baixa produtividade
Quando um colaborador está fisicamente presente no local de trabalho, mas não demonstra produtividade nem entrega resultados satisfatórios, isso pode ser um sinal evidente de presenteísmo.
Isso acontece quando o funcionário não consegue se empenhar de forma eficaz em suas responsabilidades, o que pode ser motivado por falta de estímulo, desinteresse no trabalho ou questões relacionadas à saúde mental.
Nesses casos, é papel do profissional de RH identificar tais situações e implementar estratégias para motivar e reintegrar os colaboradores, sempre priorizando o bem-estar mental deles.
Falta de engajamento
Outra forma de identificar o presenteísmo é observar quando colaboradores não se envolvem com as responsabilidades do cargo e não demonstram interesse no trabalho.
Esse comportamento pode ter origem em deficiências na comunicação, falta de feedback ou escassez de oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional.
Para o setor de Recursos Humanos, é essencial criar um ambiente de trabalho que estimule o engajamento e a retenção, além de proporcionar oportunidades significativas de crescimento e desenvolvimento para os colaboradores.
Distração
Uma das formas de identificar o presenteísmo é quando o funcionário está distraído e não consegue se concentrar nas tarefas, o que pode ser indicado por uma redução na qualidade do trabalho entregue.
Isso pode ocorrer quando a equipe passa a trabalhar no “piloto automático”, ao operar sem prestar atenção no que está sendo feito. Essa distração pode ser resultado de problemas de saúde mental, falta de motivação ou carência de apoio adequado.
Cabe ao RH identificar as causas da distração e implementar estratégias para auxiliar os colaboradores a se concentrarem e realizarem suas tarefas de forma eficaz.
Fadiga e desleixo
Se um colaborador parece cansado ou desleixado, isso pode ser um sinal de falta de motivação ou esgotamento e pode ser outro indicativo de presenteísmo.
Esses sinais podem ser reflexo da ausência de apoio adequado, comunicação ineficaz ou falta de oportunidades de descanso e recuperação.
O departamento de RH deve liderar iniciativas que promovam um ambiente de trabalho saudável e sustentável, onde os funcionários se sintam apoiados e capazes de alcançar seu melhor desempenho.
Baixa qualidade de trabalho
Quando um funcionário mantém um cronograma constante de trabalho, mas não entrega resultados de qualidade, isso pode ser um indicativo de presenteísmo. Nessa situação, o colaborador pode não estar conseguindo se esforçar o suficiente para realizar suas tarefas.
Essa falta de eficácia é evidente quando a equipe sacrifica o padrão de qualidade estabelecido pela organização para entregar uma quantidade maior de trabalho, sem atenção aos resultados.
Os profissionais de RH devem estar atentos a esses sinais e oferecer apoio, recursos necessários e oportunidades de desenvolvimento para esses colaboradores.
Qual a diferença entre absenteísmo e presenteísmo?
O absenteísmo refere-se à ausência do colaborador no ambiente de trabalho, enquanto o presenteísmo ocorre quando o funcionário está presente fisicamente, mas não consegue produzir ou entregar resultados satisfatórios.
Quando um colaborador está ausente, seja por motivos de saúde, pessoais ou outros, ele não contribui diretamente para as atividades da empresa naquele período.
Por outro lado, no presenteísmo, o colaborador está presente, porém sua capacidade de produção e desempenho está comprometida, muitas vezes devido a questões de saúde física ou mental, falta de motivação ou problemas pessoais.
É importante que líderes e profissionais de RH estejam atentos a ambas as situações, pois podem impactar negativamente não apenas no desempenho individual, mas também no clima organizacional e na imagem da empresa.
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Tipos de presenteísmo
O presenteísmo conta com dois tipos principais: involuntário e voluntário.
O presenteísmo involuntário é quando os colaboradores vão trabalhar mesmo estando doentes, estressados ou desmotivados, muitas vezes por medo de perder o emprego ou por não poderem se dar ao luxo de faltar ao trabalho.
Isso pode ser resultado de vários fatores, como problemas de saúde mental ou física, estresse relacionado ao trabalho, ambiente organizacional desfavorável ou conflitos pessoais. Por exemplo, alguém pode estar enfrentando problemas familiares, financeiros ou com amigos.
É importante entender que esses colaboradores não estão sendo eficientes no trabalho por má vontade ou preguiça, mas sim por medo de perderem seus empregos ou por pressões internas e externas.
Muitas vezes, eles evitam faltar ao trabalho mesmo quando estão doentes. Esse fenômeno pode ser especialmente comum em casos de Síndrome de Burnout, em que o colaborador está sobrecarregado de estresse no trabalho.
Por outro lado, o presenteísmo voluntário acontece quando os colaboradores estão fisicamente presentes no trabalho, mas não estão totalmente engajados ou produtivos.
Isso pode ser devido à falta de motivação, desinteresse nas tarefas atribuídas, desalinhamento com os objetivos da empresa ou simplesmente por estarem passando por um período de desânimo em relação ao trabalho.
Como evitar o presenteísmo?
O presenteísmo pode ser um desafio para as empresas, mas existem medidas práticas que o Departamento de Recursos Humanos pode adotar para mitigar esse problema e promover um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
1 – Promova uma comunicação aberta e saudável
Uma comunicação aberta é essencial para lidar com o presenteísmo. Muitos colaboradores podem enfrentar dificuldades pessoais ou de saúde, mas podem não se sentir à vontade para compartilhar esses problemas com seus gestores.
Incentivar um diálogo claro e honesto pode fazer com que os funcionários se sintam mais à vontade para expressar suas preocupações e buscar apoio quando necessário. Para facilitar esse processo:
- treine líderes para promover uma comunicação aberta e empática;
- reforce uma cultura organizacional que valorize e pratique a comunicação transparente.
2 – Implemente rotinas de feedback
A falta de direcionamento e reconhecimento pode ser uma causa subjacente do presenteísmo. Portanto, é importante estabelecer rotinas eficazes de feedback entre líderes e liderados. Para isso:
- programe feedbacks regulares para discutir desempenho e desenvolvimento;
- utilize feedback construtivo para motivar e guiar os colaboradores;
- crie um ambiente onde os funcionários se sintam valorizados e apoiados em seu desenvolvimento profissional.
3 – Priorize a qualidade de vida dos funcionários
Incentivar a qualidade de vida dos colaboradores é fundamental para prevenir o presenteísmo. A sobrecarga de trabalho pode ser um gatilho para esse problema, portanto, é importante implementar estratégias que promovam o bem-estar físico e mental dos funcionários. Tente:
- oferecer programas de bem-estar no local de trabalho, como aulas de yoga ou meditação;
- flexibilizar as políticas de trabalho remoto para auxiliar os funcionários a equilibrar suas responsabilidades pessoais e profissionais;
- promover uma cultura que valorize a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- incentivar práticas de bem-estar, como pausas regulares e atividades físicas.
4 – Utilize indicadores de RH para monitorar o presenteísmo
Para prevenir e identificar o presenteísmo de maneira eficaz, é importante que o Departamento de Recursos Humanos utilize indicadores de RH. Isso pode incluir:
- níveis de engajamento dos funcionários;
- frequência de ausências e atrasos;
- produtividade e qualidade do trabalho entregue;
- feedbacks dos funcionários sobre seu bem-estar e satisfação no trabalho.
Monitorar esses indicadores permite identificar tendências e sinais de presenteísmo, possibilitando a implementação de ações corretivas de forma proativa.
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Ao longo deste artigo, vimos que para evitar o problema do presenteísmo e criar um ambiente de trabalho melhor, precisamos agir.
É importante promover a comunicação aberta, dar feedback regular, cuidar da qualidade de vida dos funcionários e monitorar os sinais de presenteísmo. Essas práticas são fundamentais para o sucesso no mercado de trabalho atual.
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